Arara brasileira é primeira ave do mundo a receber prótese metálica impressa em 3D

arara

Se você olhar rapidamente, talvez nem perceba. Mas prestando maior atenção, irá reparar que o bico da arara Gigi, esta linda ave da foto acima, é uma prótese. Graças à tecnologia e ao trabalho de organizações de proteção aos animais e voluntários brasileiros, a vida de Gigi foi salva. Ela ganhou uma prótese de metal biocompatível, ou seja, que é aceita pelo organismo da ave.

“Tivemos que avaliar uma série de características como tipo de material a ser utilizado, acabamento e outros detalhes que fosse capaz de gerar uma prótese que atendesse as necessidades e proporcionasse o bem estar da Gigi”, conta o pesquisador responsável pela impressão da prótese, Marcelo Oliveira, do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, instituto de pesquisa associado ao NIT Mantiqueira, núcleo de inovação tecnológica do Ministério da Ciência.

Gigi, uma arara da espécie canindé, foi encontrada na cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo. Tinha o bico deformado, provavelmente por maus tratos, o que a impedia de se alimentar normalmente. A Polícia Ambiental a encaminhou então para o Centro de Pesquisa e Triagem de Animais Selvagens (Ceptas), em Cubatão, onde ela recebeu tratamento e foi alimentada por funcionários.

Mas para que pudesse comer sozinha e realizar outras atividades, como pular de um galho para outro, Gigi precisava de seu bico. Foi então que a equipe do Ceptas decidiu entrar em contato com o Avengers, um grupo de veterinários e especialistas em tecnologias de computação gráfica e impressão 3D, que faz trabalho voluntário. Juntamente com o time do centro Renato Archer, foi criado um modelo de prótese a ser fabricado em impressora 3D de alta performance.

“Foi modelada uma prótese fina, aliviando o peso do novo bico, e com dureza que suportasse o hábito alimentar do animal, atendendo à sua sobrevivência”, explicou Oliveira, ao NIT Mantiqueira.

Segundo a equipe envolvida no experimento, a arara brasileira é a primeira ave do mundo a receber uma prótese metálica. Nove meses após o implante, Gigi se alimenta bem e se comporta como qualquer outra ave de sua espécie.

A história emocionate é mais um exemplo de como o trabalho colaborativo sempre é bem sucedido. Neste caso, foi a união do conhecimento de especialistas em tecnologia de ponta com veterinários, biólogos e organizações de conservação ambiental que deram vida nova à Gigi.

equipe que salvou a arara Gigi
Lucas Porto (Ceptas), Nerelton (Unimonte), Roberto Fecchio (Avengers), Marcelo Oliveira (CTI), João de OIiveira Jr. (NIT Mantiqueira), Sergio Camargo (Avengers) e Paulo Inforçatti (CTI):
a equipe envolvida na fabricação da prótese de Gigi


Leia também:
Ameaçada de extinção, ararajuba será reintroduzida em Unidades de Conservação do Pará
Depois de 16 anos, ararinha-azul é vista voando em região de Caatinga, na Bahia

Fotos: divulgação NIT Mantiqueira/Ale Souza

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta