Dança do acasalamento das aranhas-pavão é sucesso na internet

Até onde você iria para conquistar uma garota? Os machos das aranhas-pavão fazem de tudo para impressionar suas parceiras. Eles levantam as pernas, batem palmas, mudam de forma e executam coreografias que deixariam os melhores dançarinos do mundo com inveja. Essas características, somadas às cores vibrantes, fizeram desses pequenos aracnídeos com menos de 5 milímetros, as grandes estrelas do mundo dos invertebrados, com vídeos que chegam a mais de 6 milhões de visualizações no YouTube.

Mas não pense que a vida de pop star é fácil. O macho precisa executar a dança de acasalamento com perfeição ou vai sofrer as consequências. A fêmea, parda e bem mais discreta – como a maioria das fêmeas na natureza -, é muito exigente! Se ela não se interessar pelos passos, atacará seu pretendente e pode até matá-lo.

As aranhas-pavão foram descobertas na Austrália no século 19. Desde então, cientistas descreveram e nomearam diferentes espécies, mas elas permaneciam longe de alcançar o status de superstar.

A história começou a mudar em 2005, quando o biólogo alemão Jürgen Otto chegou em Sydney, Austrália. Ele era um fotógrafo amador entusiasmado (as fotos deste post são dele), mas logo se cansou de clicar as aves coloridas que achava com facilidade na cidade. Um dia, durante uma caminhada pelo Parque Nacional Ku-ring-gai Chase, uma pequena criatura colorida pulou na sua frente. Ele se assustou e quase pisou no animal.

Esta aranha-pavão da espécie Maratus speciosus é a maior estrela dos vídeos de Otto

Otto olhava para uma aranha-pavão pela primeira vez, e esse encontro mudou sua vida para sempre. Ele descobriu que se tratava da espécie Maratus volans (foto que abre este post) e passou a dedicar todo o seu tempo livre para estudar as aranhas-pavão.  Separou um espaço em sua casa e montou uma sala só para filmar e fotografar os aracnídeos. Coletou centenas de espécimes pela Austrália, até recebeu alguns exemplares pelo correio, e descreveu 29 espécies (existem 69 na Austrália e 1 na China) em artigos publicados na Peckhamia, periódico científico dedicado às aranhas saltadoras (grupo que inclui as aranhas-pavão).

Em 2011, após centenas de horas de procura e filmagens, o biólogo publicou seu primeiro vídeo no YouTube, hoje com quase 2 milhões de visualizações. O filme mais assistido, que mostra a dança do acasalamento de Maratus speciosus, tem mais de 6 milhões de visualizações e ganhou até uma versão com a canção YMCA, com mais de 2,5 milhões de visualizações (veja alguns vídeos no final do post).

Otto não parou por aí. Ele entrou em contato com David Attenborough, produtor e apresentador de alguns dos documentários de natureza mais famosos do mundo. Um ano depois, uma equipe de filmagem do referido programa estava no Parque Nacional Ku-ring-gai Chase, junto com Otto, em busca da aranha-pavão. Foram quinze dias de filmagem. As cenas foram narradas por Attenborough e exibidas na série de documentários Life Story, da BBC.

Em entrevista para o portal Live Science, Otto afirmou: “Minha maior realização seria transformar pessoas arachinofóbicas em aracnófilas”. Certamente as estrelas dos vídeos do biólogo podem trazer novos fãs para as aranhas-pavão. Agora, divirta-se com as danças incríveis das aranhas pavão macho para conquistar as exigentes fêmeas:

Fotos: Jürgen Otto/ Creative Commons

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

Fábio Paschoal

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

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