Aqui, cabe mais uma árvore! Mapa colaborativo online ajuda na identificação de locais para plantio


Tenho notado que, cada vez mais pessoas entendem que é essencial ter árvores plantadas próximo de suas casas, das escolas, dos hospitais, do comércio, em qualquer ponto da cidade. Com o aumento considerável da população, cuidar da arborização urbana é essencial para garantir melhor qualidade de vida, saúde e bem estar para todos e o próprio ambiente onde a cidade está inserido.

Aliás, falar de arborização urbana é tratar de um tema multidimensional e transdisciplinar. A forma como lidamos com as árvores – como consideramos sua existência – é um reflexo puro de como caminha a educação, o senso de pertencimento, a identidade cultural ambiental e a valorização da vida em suas dimensões naturais.

Com o mundo globalizado não há mais desculpas porque são inúmeras as soluções e os caminhos para cuidar, planejar e implantar bons projetos – se não o melhor projeto – de arborização nas cidades. Tanto em modelos já aplicados e realizados em outros lugares do mundo, como em termos de tecnologias que podem auxiliar a tomar decisões mais estratégicas sobre como, onde e quando realizar o plantio de árvores. Destaco, aqui, o projeto realizado pelo MIT – Massachussets Institute of Technology, que tem comparado a arborização urbana de diferentes cidades do mundo: o Treepedia.

Eu, particularmente, sou enfática quanto a priorizar o plantio de árvores em áreas dentro e próximas às escolas, hospitais e unidades de saúde. Sei, por minha trajetória bastante ativa nessa área, que árvores e natureza promovem o pleno desenvolvimento da infância, do bem estar e qualidade de vida para crianças, adolescentes e adultos.

Em minhas pesquisas e meus projetos, desenvolvo meios para a promoção de uma conexão empática e afetiva da sociedade com as árvores. Participo de grupos de pesquisa de áreas multidisciplinares que enfocam a saúde por meio da medicina integrativa, o bem estar psicossocial e a urgência da natureza acessível para toda a população.

Recentemente, em workshop do qual participei, o cientista e médico Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, destacou estudos que demonstram, quando áreas verdes e arborizadas estão a uma distância de 250 m de onde as pessoas vivem, há redução de 30% no risco de enfarte. Este dado já seria suficiente para que o direito a árvores fosse efetivamente cumprido como meta política das cidades.

No mesmo encontro, o biólogo e pesquisador coordenador do programa Cidades Globais, na USP, Marcos Buckeridge, apresentou dados sobre a arborização urbana na cidade de São Paulo. Constatou que a distribuição é muito irregular, com prefeituras regionais extremamente áridas e enalteceu a urgência de tomadas de decisão para a conquista de uma cidade sustentável. Ele levantou a quantidade de árvores por habitante de cada uma das 27 prefeituras regionais da cidade: somente seis prefeituras regionais registram mais de uma árvore por habitante.

Mesmo assim, com a urgência do plantio, é importante tomar medidas eficazes para a distribuição de árvores de maneira mais homogênea pela cidade, focalizando estruturas prioritárias e, melhor ainda, engajando a população nesse processo. O salto que queremos ver na arborização urbana passa pelo apoio, pelo envolvimento e participação das pessoas, acolhendo cada nova árvore, compartilhando a responsabilidade por cuidar delas e procurando mais locais para o plantio.

Sempre lembrando, claro – como escrevi em texto publicado em 7 de março de 2010 -, que devemos plantar, sim, e muito, mas sabendo qual a Árvore Certa para o Lugar Certo. Depois de mais de sete anos desta reflexão poética, fico feliz em ver esse ‘mantra’ reverberar na voz e na intenção da população cada vez mais envolvida na causa.

Para colaborar com esse processo de engajamento da população, o Instituto Árvores Vivasque idealizei e presido, e que dá nome a este blog no Conexão Planeta – oferece ferramentas de mapeamento colaborativo diversas, que podem ser utilizadas por escolas, empresas, comunidades.

Hoje, especialmente, lançamos também o módulo de mapeamento de locais para receberem novas árvores nas cidades. Assim como nos demais mapeamentos, este é realizado por meio de um formulário online que, além de ter a função prática de apoiar e ampliar a possibilidade de arborização urbana, promove a cultura ambiental, educando as pessoas.

Se você já sabe onde cabem novas árvores na sua cidade, acesse o formulário online e preencha os dados de cada local potencial de plantio. As informações são todas organizadas e serão compartilhadas com as prefeituras e secretarias do verde das cidades mapeadas.

Fotos: Juliana Gatti

Na primeira imagem, plantio de árvores nativas realizado com o Coletivo Pedal Verde, movimento pioneiro em mutirões de plantio de árvores nas áreas urbanas de São Paulo. Os participantes levaram as mudas nas bicicletas e plantaram pela cidade entre 2009 a 2014.

Juliana Gatti

Mestranda na área de Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, sua pesquisa dedica-se a avaliar a influência da natureza na qualidade de vida de crianças e sociedade. Idealizou o Instituto Árvores Vivas em 2006, onde promove ações de conexão com a natureza por meio de apreciação, restauração e fomento da cultura ambiental.

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