Aquecimento dos oceanos é maior do que estimado e nível do mar poderá subir 30 cm até o final do século

Aquecimento dos oceanos é maior do que estimado e nível do mar poderá subir 30 cm até o final do século

O que já era ruim pode ficar ainda pior. Em um novo artigo científico publicado na revista Science, pesquisadores do International Center for Climate and Environment Sciences, na China, e de diversas universidades e entidades dos Estados Unidos, revelam que os cálculos feitos até então sobre o aquecimento dos oceanos indicava números menores do que os reais.

Ao longo das últimas duas décadas, os cientistas analisaram as informações de mais de 3 mil boias flutuantes que foram espalhadas pelos oceanos. Os dados coletados mostram que o aumento da temperatura da água é mais alto, no período entre 1971 e 2010, do que aquele apontado pelo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), divulgado em 2013.

Os oceanos prestam um serviço invisível para os olhos dos seres humanos e fundamental para a nossa sobrevivência na Terra. Assim como as florestas absorvem o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, gás apontado como sendo o principal responsável pelo aquecimento global, os oceanos absorvem o calor, liberado pela queima dos combustíveis fósseis, que fica aprisionado na superfície terrestre.

Infelizmente, este serviço ambiental faz com que as águas dos mares do planeta se aqueçam e provoquem não só desequilíbrio na vida marinha, mas também, o aumento do nível do mar, uma ameaça para cidades costeiras do mundo todo.

Durante os últimos 18 anos, boias coletaram informações sobre a temperatura dos oceanos

Em novembro de 2018, outro estudo, publicado na Nature, por pesquisadores da Universidade de Princeton, também nos Estados Unidos, já alertava sobre um aquecimento dos oceanos sem precedentes. As águas oceânicas estariam retirando da atmosfera 60% mais calor do que pensava. Ao longo dos últimos 25 anos, elas teriam extraído da atmosfera uma quantidade de calor 150 vezes maior do que a energia produzida pelo homem como eletricidade anualmente (leia mais aqui). 

De acordo com os cientistas do mais recente artigo, da Science, entre os efeitos provocados pelo aquecimento anormal dos oceanos estão o aumento da intensidade das chuvas, de tempestades, de furacões e do próprio nível do mar, a destruição dos recifes de corais, a redução dos níveis de oxigênio na água, além do derretimento das camadas de gelo de glaciares e nas regiões polares.

A explicação para o aumento do nível do mar se deve ao que se chama pela física de expansão térmica. A água quente ocupa mais espaço. A previsão dos pesquisadores é que, se o ritmo de aquecimento atual continuar, poderemos ter um aumento de 30 cm no altura dos oceanos até o final deste século.

Ainda de acordo com os estudiosos, 2018 deverá ser o quarto ano seguido mais quente não somente da superfície terrestre, mas também, nos oceanos.

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Foto: domínio público/pixabay (abertura) e alicia navidad/csiro (boias flutuantes)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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