Aquário de Vancouver é proibido de manter golfinhos e baleias em cativeiro

Aquário de Vancouver é proibido de manter golfinhos e baleias em cativeiro

Atendendo à demanda popular, o conselho municipal dos parques de Vancouver, no Canadá, decidiu proibir o famoso aquário da cidade a manter em cativeiro golfinhos, toninhas e baleias, seja para fins de entretenimento ou mesmo para pesquisas.

Depois de dois dias de audiências, o conselho chegou ao parecer unânime de que o Vancouver Aquarium fica proibido de importar e expor cetáceos vivos (ordem da qual fazem parte golfinhos e baleias).

Um das principais atrações do aquário da cidade canadense sempre foi as baleias belugas. Mas em novembro passado, duas delas morreram repentinamente: a fêmea Aurora e sua filhote adulta, Qila, fato este que causou grande comoção no público.

Mesmo assim, recentemente o Vancouver Aquarium anunciou a intenção de adquirir cinco novas belugas em um investimento milionário de expansão, mas se “comprometendo” a deixar de expor cetáceos até 2029, pressionado pela intenção do conselho em fazer um plebiscito sobre a questão.

Há anos já havia um movimento em Vancouver para proibir a exploração dos animais marinhos e a manutenção dos mesmos em cativeiro. Em 1993, uma votação popular decidiu, com vitória de 53%, medidas restritivas sobre a exposição de cetáceos e outras espécies no zoológico de Stanley Park. Mas com a mudança de conselheiros nas décadas seguintes, o assunto foi esquecido.

Em um comunicado oficial, o Vancouver Aquarium lamentou a decisão do conselho municipal. Segundo os administradores do local, os cetáceos eram essenciais para a realização de estudos e pesquisas, e assim sendo, sua preservação.

A European Association for Aquatic Mammals, entidade que representa aquários e zoológicos na Europa, também se pronunciou sobre a notícia. Em um carta aberta, afirmou que a medida pode afetar o importante trabalho de conservação animal realizado por estas instituições.

O sofrimento no cativeiro

Muito se discute sobre os benefícios e malefícios da manutenção de animais em cativeiro. O tema é bastante polêmico. Em diversos países, zoológicos e aquários fazem um trabalho seríssimo para cuidar e proteger espécies e desta maneira, garantir maior entendimento sobre seu comportamento.

Sabe-se ainda, que muitos animais acabam em cativeiro porque foram resgatados do tráfico ilegal. Consequentemente, seus filhotes nascem já fora do ambiente selvagem. Em 1992, quando houve uma das primeiras discussões em Vancouver sobre uma lei que proibísse a retenção de animais longe da natureza, a Vancouver Humane Society conseguiu oferecer evidências científicas suficientes provando que, mesmo que muitas gerações tenham nascido em cativeiro, animais selvagens mantinham seus instintos selvagens. Na época, a entidade declarou que “manter cetáceos em tanques de concreto era desumano, sem qualquer possibilidade de compreensão”.

Cetáceos presos em cativeiro sofrem com o confinamento. Segundo a Vancouver Humane Society, não há como nenhum aquário reproduzir o ambiente social e natural de baleias e golfinhos. “Eles são privados de sua capacidade de eco-localização, que é o mesmo que tirar a visão humana”, destacam especialistas.

Como disse Jacques Cousteau, um dos maiores, se não, o mais importante e respeitado oceanógrafo que já conhecemos, “o benefício educativo de observar um golfinho em cativeiro seria como aprender sobre a humanidade apenas observando prisioneiros em confinamento solitário“.

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Foto: divulgação Vancouver Aquarium

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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