Vá de bike! App mapeia ciclovias e indica onde alugar bicicletas em SP

Vá de bike! App mapeia ciclovias e indica onde alugar bicicleta em SP
Após adotar o transporte ativo como estilo de vida, o jovem desenvolvedor paulista Cauê Jannini quer mostrar que andar de bicicleta e a pé são as formas mais práticas, baratas e prazerosas de se deslocar na cidade. – Foto: Arquivo pessoal

Faz sete anos que o desenvolvedor Cauê Jannini, de 25 anos, veio morar em São Paulo (SP). Vindo de Campinas, que fica a cerca de 100 km da capital, o jovem pouco pensava a respeito de mobilidade urbana antes de se deparar com o caótico trânsito paulistano. Isso mudou. Em 2014, Cauê lançou um aplicativo com a meta de facilitar a vida de quem quer adotar a bicicleta como meio de transporte.

Chamado de Pedala SP, o app gratuito traz informações atualizadas sobre a estrutura cicloviária da cidade, incluindo ciclovias e ciclofaixas permanentes, ciclofaixas de lazer, ciclorrotas, parques com ciclovias, estações de compartilhamento de bicicletas do Bike Sampa e do Ciclo Sampa, além de bicicletários e paraciclos para estacionar a magrela. O aplicativo também envia alertas em tempo real, informados pelos usuários; calcula rotas entre dois pontos da cidade, exibindo o perfil de elevação dos trajetos; e, recentemente, recebeu atualização para iOS, que deve ser incorporada à versão para Android até o fim deste mês. Outro recurso para os ciclistas é a indicação de pontos de Wi-Fi livre da cidade.

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Captura de tela do aplicativo Pedala SP, disponível para iOS e Android. – Foto: Divulgação

Mudança de estilo de vida

Nos últimos dois anos, após lançar o app Pedala SP, Cauê se tornou adepto do transporte ativo – não apenas da locomoção de bicicleta, mas de se deslocar a pé também. Ele conta que essa alteração radical no seu estilo de vida não se deveu apenas ao ativismo, mas principalmente pela praticidade e pela qualidade de vida. “Desde que eu vivi, na prática, a rotina de me locomover de bike em São Paulo, ficou bastante óbvio que o transporte ativo era, na maioria das vezes, a forma mais prática, barata e prazerosa de me deslocar na cidade”, afirma.

No dia a dia, Cauê percorre a pé todas as distâncias inferiores a 2 km, e quando precisa ir mais longe, pedala sua bicicleta. Algumas vezes, pega transporte público, mas depois de se acostumar ao deslocamento sem custo, acha R$ 3,80 um preço alto a se pagar pela passagem de ônibus, metrô e trem. “Eventualmente, pego um Uber, em especial quando estou com mais gente. Acaba ficando até mais barato que o ônibus!”, destaca.

“Nas últimas vezes que eu entrei no carro de alguém para fazer qualquer coisa na cidade, ficou absolutamente patente que qualquer escolha poderia ser melhor que andar de carro. Seja pela imobilidade enorme de um automóvel individual na rua, seja pela necessidade de achar vaga ou de pagar estacionamento.”

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Cauê Jannini e uma amiga pedalam na ciclovia da Av. Paulista em sua estreia, em 2015. – Foto: Arquivo pessoal

Ativismo sobre rodas

Graças ao lançamento do Pedala SP, Cauê teve mais contato com ciclistas e passou a frequentar eventos voltados para debater o transporte na cidade, como a Virada da Mobilidade. “Essa experiência me deu a dimensão do quanto São Paulo tem um cicloativismo forte e muito consciente dos seus direitos e de como interagir e pressionar o poder público”, conta.

Ele cita que um bom exemplo disso ocorreu há duas semanas, após o resultado das eleições municipais. Alguns ciclistas ativistas convidaram João Dória (PSDB), recém-eleito, a pedalar na cidade e a bater um papo com eles sobre mobilidade urbana. Antes disso, foi realizada uma plenária de mobilidade ativa para discutir estratégias para a próxima gestão da cidade. “Perceber esse ativismo muito presente, muito real e inteligente, tem sido algo bastante legal pra mim”, conta.

Evolução da infraestrutura para bicicleta

Quando o aplicativo Pedala SP foi lançado, em 2014, a rede cicloviária da cidade de São Paulo era de apenas 60 km. Atualmente, o número saltou para 477,7 km, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Para Cauê, viver essa expansão da malha cicloviária no dia a dia foi interessante. “Eu tinha determinado percurso há dois anos, que foi mudando naturalmente conforme as ciclovias foram aparecendo no meu caminho. Elas direcionaram meu percurso, pois quando uma via recebe uma ciclovia ou ciclofaixa, a segurança e a tranquilidade para os ciclistas aumenta muito”, diz.

O desenvolvedor também ressalta que a instalação da malha cicloviária também em avenidas e vias arteriais ajudou a reduzir o tempo de percurso. “As avenidas são não só os caminhos mais rápidos entre as regiões da cidade, como em grande parte das vezes são com menor inclinação. Alguns exemplos que ainda não tem ciclovia e que precisam ter são a Francisco Matarazzo, a Indianápolis, Santo Amaro, Nove de Julho. Colocar ciclovias seguras nessas avenidas seria uma ótima forma de dar um novo grande passo no estímulo à bicicleta na cidade”, conclui.

Bons exemplos

Já noticiamos aqui no Conexão Planeta várias iniciativas inspiradoras de cidades do mundo todo que estão atentas à qualidade de vida de sua população e dos benefícios da adoção da bicicleta para o meio ambiente. Abaixo, listamos cinco exemplos para você mergulhar no assunto, tirar a bicicleta da garagem e colocá-la na rua para pedalar já!

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

Marina Maciel

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

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