Após chuvas, equipes focam esforços no tratamento de animais feridos e órfãos pelos incêndios na Austrália

Após chuvas, equipes focam esforços no tratamento de animais feridos e órfãos pelos incêndios na Austrália

O alívio finalmente chegou à Austrália. Após quatro meses de incêndios florestais que devastaram mais de 10 milhões de hectares de vegetação, deixaram 28 vítimas humanas fatais e mataram quase 500 milhões de animais, chove há dois dias no país.

A água trouxe alívio, sobretudo para as regiões mais impactadas pelo fogo, entre elas, New South Wales e Victoria. Todavia, bombeiros alertam que ainda há focos de incêndios a serem combatidos.

Apesar de os meteorologistas preverem mais chuva para os próximos dias, a tragédia ainda está longe de ter acabado. Equipes de organizações de proteção animal se esforçaram agora para salvar a vida de milhares de bichos resgatados em meio ao fogo.

São animais feridos e famintos. E muitos deles, se tornaram órfãos. A Humane Society International está em Kangaroo Island. Como escrevi há poucos dias, nesta outra reportagem, a Ilha dos Cangurus, na tradução para o português -, fica localizada ao sudoeste da cidade de Adelaide. Mais de 1/3 dela é protegida por reservas naturais, lar de animais selvagens nativos, como coalas e diversas espécies de aves. Por esta razão, a ilha também é conhecida como “Arca de Noé”.

Assim como o resto da Austrália, Kangaroo Island foi devastada pelos incêndios florestais. 155 mil hectares de vegetação foram destruídos pelo fogo, cerca de 1/3 de sua área total.

Com a vegetação queimada, os animais não têm o que comer. Os voluntários estão montando tendas para tratar seus ferimentos, além de fornecer alimentos e água.

Após chuvas, equipes focam esforços no tratamento de animais feridos e órfãos pelos incêndios na Austrália

Canguru encontrado em meio à vegetação inteiramente queimada

No caso dos coalas, por exemplo, os biólogos explicam que o sinal de alerta é quando eles são encontrados no chão ou em galhos muito baixo das árvores, pois isso não é o comportamento normal deles.

O Australia Zoo Wildlife Hospital também é outro centro de tratamento de animais. Os veterinários contam que os bichos chegam ali famintos. Entre as espécies que mais sofreram com os incêndios estão os flying foxes (na imagem que abre este post), um morcego nativo da Austrália. Estima-se que 1/5 de sua população tenha sido dizimada pelo calor extremos e o fogo.

O morceguinho recebendo tratamento

Para ajudar os morcegos a encontrarem alimentos, a recomendação à população é que se plante árvores frutíferas e eucaliptos e que, neste momento crítico, as pessoas pendurem nas árvores no quintal de suas casas maçãs e peras.

Especialistas temem que os impactos ambientais e sobre a vida selvagem podem persistir ainda por anos na Austrália. Abaixo, a imagem impressionante, registrada por um astronauta da Estação Espacial Internacional, onde pode-se ver colunas de fumaça e poluição. Com ela é possível ter uma noção ainda mais nítida da dimensão dos incêndios naquele país.

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Fotos: reprodução Facebook Humane Society International, Australia Zoo Wildlife Warrior e ESA-L.Parmitano/FotosPúblicas (imagem do incêndio vista do espaço)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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