Aplicativo registra e compartilha informações sobre peixes em comunidades na Amazônia

Para evitar a pesca predatória e ajudar a garantir retorno econômico efetivo para os pescadores de comunidades das regiões do Meio e Alto Solimões, no estado do Amazonas -, o projeto Ciência Cidadã para a Amazônia criou o aplicativo Ictio, que apresenta informações detalhadas de 20 espécies de peixes, muito importantes para a economia local, de acordo com o tipo de migração. Os usuários registram e compartilham dados sobre local, data e tipo de peixe pescado, em cada ação.

O Ictio foi desenvolvido pela equipe do Cornell Lab, da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. E é compatível apenas com Android 5.0 ou mais, disponível para download pelo Google Play.

Assim, com o celular, os pescadores podem acompanhar sua produção ao longo do tempo, identificando quantos quilos de peixe pescaram e quanto gastaram com esse trabalho, podendo rever práticas. Com um detalhe: os mais velhos não têm costume de utilizar celular no dia a dia, como os jovens. A partir de treinamentos e conversas com os idealizadores da iniciativa e parceiros, como o Instituto Mamirauá, eles têm aderido bem à nova ferramenta, que ainda incentiva a interação entre pescadores e seus filhos.

Já foram realizados mais de 30 treinamentos e reuniões para ensinar os pescadores a usar o Ictio. O Instituto Mamirauá- que é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) –, desde julho deste ano, está realizando treinamentos nos municípios de Tefé, Alvarães, Uarini, Fonte Boa, Jutaí, Santo Antônio do Içá e Maraã, em comunidades, organizações de pescadores e, também, escolas.

“Nesta primeira etapa, focamos o trabalho na apresentação das funcionalidades disponíveis no Ictio. Em seguida, vamos avaliar junto com os nossos grupos de trabalho como essa ferramenta pode melhorar e ser cada vez mais útil para o dia a dia deles”, comenta Vanessa Eyng, analista de pesquisa do instituto.

Na comunidade Punã, próxima à cidade de Uarini, que foi a primeira a receber o treinamento, vários Agentes Ambientais Voluntários (AAVs) fizeram o trabalho de registro da pesca no Ictio e tiveram ótimo retorno do pescadores. Muito animada, a comunitária Ana Vieira Quinha disse que, “daqui pra frente, tudo vai ser anotado, a quantidade, quantos quilos, qual a espécie de peixe que pegamos. E o aplicativo chegou bem a tempo já que estamos na época da seca, quando os peixes ‘arribam’, o que traz muitos peixes escolhidos para o o aplicativo, como o surubim e o caparari”.

No município de Santo Antônio do Içá, os pescadores da Associação de Pescadores e da Colônia Z-54 também foram apresentados ao aplicativo. Françoise Souza, que trabalha no setor administrativo da Colônia Z-54, acredita no seu potencial para os pescadores que utilizarem o aplicativo. Além de todos os benefícios práticos, ela também considera o Ictio “uma boa oportunidade de diálogo entre pais e filhos, que é uma maneira dinâmica de desenvolver o projeto!”.

Comunitários de São Francisco da Ressaca Grande e Acapuri de Cima, que participam da Associação Comercial de Jutaí (ACJ), também receberam treinamento. Ocemir Gonçalves dos Santos, presidente da instituição, acredita na força das parcerias do projeto, que são estimuladas pelo compartilhamento de informações sobre os peixes e suas migrações na região.

Como funciona o projeto Ciência Cidadã para a Amazônia

Ele é resultado do trabalho de parcerias da Wildlife Conservation Society (WCS) pelo mundo, e recebe apoio financeiro da Fundação Gordon e Betty Moore.

Entre os parceiros frequentes estão o Instituto Mamirauá, citado neste post, o Laboratório de Ornitologia de Cornell, Florida International University, Conservify, Instituto del Bien Común, San Diego Zoo Global, Fab Lab Perú, Ecoporé, Sapopema, Universidad San Francisco of Quito, Rainforest Expeditions, Fundação Universidade Federal de Rondônia, Institut de Recherche pour le Développement, Universidad de Ingeniería y Tecnología, Instituto Sinchi, ACEER, CINCIA, ProNaturaleza, Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana, Institute for Global Environmental Strategies, Earth Innovation Institute, FAUNAGUA, e Fundación Omacha.

O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia ainda colabora com redes como a Iniciativa Águas Amazônicas, o Projeto Amazon Fish, Rios Vivos Andinos, Amazon Dams Network e International Rivers.

Fotos: Vanessa Eying/Divulgação

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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