Aos 83 anos, ativista pelo clima protesta em cima de trem em Londres. “É pelos meus netos”, diz emocionado

Aos 83 anos, ativista pelo clima protesta em cima de trem em Londres. “É pelos meus netos”, diz emocionado

Ao lado da jovem ativista sueca, Greta Thunberg, Phil Kingston é uma das pessoas mais inspiradoras que apareceram nos últimos tempos (pelo menos, na minha opinião pessoal).

Não há como se emocionar em assistir à sua luta pelo planeta. Aos 83 anos, esse aposentado britânico enfrenta as limitações da idade sem perder o bom humor. E contagiando a todos com sua crença de que é preciso fazer algo urgente para combater as mudanças climáticas.

Há duas semanas esse senhorzinho inglês se juntou aos protestos pacíficos realizados pelo movimento Extinction Rebellion, que tomaram conta das principais ruas e centros turísticos de Londres.

Kingston já faz parte de outros grupos, o Christian Climate Action e o Grandparents for a Safe Earth (Avós por uma Terra Segura), que também se engajaram para protestar contra a inação do governo do Reino Unido para tomar medidas mais urgentes contra o aquecimento global.

Kingston, ajoelhado de costas, em um protesto,
com um macacão com os dizeres “Trabalhador de Emergência do Clima”

Nos últimos quatro meses, ele já foi preso oito vezes pela polícia porque fez parte de manifestações.

“Para cada um de vocês, queridos idosos… A polícia pode nos prender por bloquear uma estrada e até mesmo, por nos ajoelharmos e orarmos enquanto fazemos isso… O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas revelou que nós, seres humanos, estamos atualmente no caminho certo para a catástrofe, a menos que mantenhamos o aumento da temperatura em menos de 1,5oC … Então vamos lá, perder qualquer anseio por respeito e envelhecer vergonhosamente juntos”, escreveu em sua página no Facebook.

O aposentado sendo preso durante uma manifestação
contra empresas petrolíferas

Ontem (25/04), dia de seu aniversário, Kingston subiu em cima de um trem, na estação de Canary Wharf, centro econômico da capital inglesa, durante os protestos do Extinction Rebellion. Lá ficou, durante horas, com um cartaz no pescoço com a frase “Nós agimos em paz”, e até comeu um sanduíche, antes de policiais o retirarem, cuidadosamente, do local.

Difícil não ser tocado pelo ativismo desse senhor. Ou então, não ficar com um nó na garganta ao assistir aos vídeos, em que, invariavelmente, ele se emociona e fica com os olhos cheios de lágrimas ao explicar porque acredita que é preciso preservar o planeta.

“Eu não quero que meus netos sofram. Quero que eles tenham uma vida (pausa)… E os filhos de todo mundo, os seus, os dos policiais… Estamos todos no mesmo barco e as pessoas que promovem esta economia só estão interessadas em mais crescimento, quando o Reino Unido já usa três planetas e só temos um. Isso é loucura!”.  

Kingston conta que no total, já foi preso onze vezes. “Não me importo. É algo muito pequeno comparado ao futuro que nossas crianças podem enfrentar”, afirma. As outras vezes que foi detido protestava contra usinas nucleares, posse de armas e envio de forças militares para o Iraque.

Em outro protesto, contra uma usina de carvão,
Kingston aparece deitado na lama

O ativista ressalta que sempre respeitou a lei (ele era um agente penitenciário), mas quando essa mesma lei apoia corporações e destrói o planeta, ele não aceita isso. “Nós, idosos, não temos nada a perder. Eu tive uma vida longa e boa, sou um homem de muita sorte”, admite. Ao ser questionado sobre que mensagem gostaria de passar para outras pessoas, diz: “Amem uns aos outros e a Terra”.

Fotos: reprodução Facebook

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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