Aos 22 anos, Charlie, mais antiga lontra marinha do mundo morre, mas deixa história linda como legado

Aos 22 anos, Charlie, mais antiga lontra marinha do mundo morre, mas deixa  história linda como legado

Charlie foi encontrado sozinho, em 1997. Depois das fortes tempestades provocadas pelo fenômeno El Niño, o filhote de lontra-do-mar deve ter se perdido da mãe e de seu grupo. O pequeno órfão não teria condições de sobreviver sozinho na vida selvagem, então biólogos decidiram levá-lo para o Aquarium of the Pacific, em Long Beach, na Califórnia, que seria inaugurado no ano seguinte.

Logo ele virou uma atração no local. Devido à sua personalidade dócil e carismática e sua inteligência, se tornou um embaixador do aquário.

Mas no início do mês passado, com muita tristeza, a equipe do Aquarium of the Pacific deu adeus a Charlie e fez uma homenagem linda a ele nas redes sociais. A lontra-do-mar era o mais velho indivíduo ainda, em cativeiro, no Pacífico Sul. Por essa razão, ela tinha, inclusive, sido destaque em uma seção sobre animais idosos na edição Guinness Book of World Records: Wild Things, em 2018.

Lontras marinhas vivem entre dez e quatorze anos , mas podem chegar até 20 ou mais em um ambiente de zoológico ou aquário.

Despedida feita a Charlie no Instagram

Além de sua alegria espontânea, Charlie participou de importantes estudos científicos para ajudar na melhor compreensão de sua espécie. Foi a primeira lontra do mundo que doou sangue, sem precisar ser sedada. E entre 2011 e 2013, participou de uma série de pesquisas sobre como esses animais percebem os sons.

Durante o experimento, Charlie aprendeu a entrar em um ambiente de testes acústicos, a ouvir sinais sonoros e a responder aos pesquisadores, notificando-os se ele ouvia ou não o som, tocando seu nariz em um alvo ou permanecendo imóvel.

No próximo domingo, 28 de abril, o aquário de Long Beach realizará uma cerimônia de homenagem a Charlie. Os visitantes poderão escrever cartões para ele, que ficarão em exposição.  

As lontras dessa região da Califórnia estão em risco de extinção. A caça nos séculos XVIII e XIX quase varreu toda sua população e, em 1938, apenas 50 restaram.

Graças a esforços de conservação, houve uma recuperação da espécie, e atualmente estima-se que existam 3 mil lontras marinhas vivendo livremente naquela área. Todavia, elas ainda enfrentam ameaças como a poluição dos oceanos, as mudanças climáticas e a perda de habitat.

*Com informações e texto do Aquarium of the Pacific

Foto: divulgação Aquarium of the Pacific/Robin Riggs

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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