Ao lado da Arábia Saudita, Brasil ganha o prêmio Fóssil do Dia na COP24


Ao lado da Arábia Saudita, Brasil ganha o prêmio Fóssil do Dia na COP24

O prêmio mais tradicional e irônico das Conferências da ONU sobre Mudanças Climáticas, o Fóssil do Dia, foi dividido hoje por Brasil e Arábia Saudita.

A entrega do título vergonhoso é uma tradição das negociações climáticas que teve início em 1999, em Bonn, na Alemanha. A premiação foi iniciada pela ONG alemã Forum e é conduzido pela Climate Action Network (CAN): seus membros elegem os países que julgaram ter feito o seu “melhor” para bloquear o progresso nas negociações ou, mais recentemente, na implementação do Acordo de Paris.

E hoje, novamente, depois de já ter sido premiado na COP23, o Brasil recebeu o prêmio durante a COP24, que está sendo realizada em Katowice, na Polônia.

O país árabe vem, ao longo da semana, criando diversas barreiras e reclamando de termos que não deveriam ser utilizados nos acordos. Ou seja, tentando “melar” a negociação.

Já o Brasil – que vexame – foi lembrado de sua trajetória como líder ambiental e a atual situação desastrosa em que se encontra, com taxas de desmatamento crescendo e um novo governo que, até agora, nem indicou ainda o nome do futuro ministro do Meio Ambiente.

Veja abaixo a declaração lida pelo representantes da CAN ao premiar o Brasil:

O que aconteceu com você, Brasil?

O local de nascimento da Conferência das Nações Unidas para o Clima, celebrado por seus esforços espetaculares em reduzir o desmatamento e mitigar o aquecimento global, tornou-se motivo de piada nas negociações de Katowice.

A dez dias do começo da COP24, o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, um ex-capitão do Exército, anunciou a desistência do país em sediar a próxima COP25, no ano que vem, porque ele teria lido uma mensagem no WhatsApp que o Acordo de Paris seria uma ameaça à soberania brasileira. Humm, sim, parece legítimo.

E se você acha que isso é uma vergonha, pense por um minuto no futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, um homem que tem como modelo Donald Trump e que escreveu que as mudanças climáticas são parte de um trama marxista para transferir poder para a China. Alguém, por favor, alerte a Angela Merkel!

Mas os planos de Bolsonaro para a Floresta Amazônica não são motivo para piada. Ele prometeu acabar com o controle do desmatamento, liberar a exploração de terras indígenas para grandes empresas, acabar com o licenciamento ambiental e até, dar fim ao ministério do Meio Ambiente.

Os criminosos ambientais estão com os ouvidos atentos: entre agosto e novembro, o índice de desmatamento subiu 32% e um estudo recente revelou que a estimativa é que chegue a 25 mil km2 por ano, resultando na emissão de 3 BILHÕES de toneladas de dióxido de carbono. Isso significa “tchau” para a meta do 1,5oC.

Mas primeiro e mais importante, é que a loucura florestal de Bolsonaro coloca em risco a própria população brasileira. É uma ameaça para a floresta, que com sua umidade (*os chamados rios voadores) responsável por levar chuvas para as regiões sul e sudeste do país, com grande concentração de pessoas, além de ser o local onde há o plantio de alimentos. Nos últimos quatro anos, muitas das cidades brasileiras já sofreram com secas e crises hídricas.

Nos desculpem, brasileiros, vocês estão passando vergonha. Bolsonaro está ameaçando seu povo e o destino do planeta como um todo. Como não merecer um Fóssil?

*adendo do Conexão Planeta

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Imagem: divulgação

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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