Antropologia Visual ou a arte de estudar o ser humano através da imagem

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O estudo do homem por meio da imagem vem de tempos imemoriais, quando nossos ancestrais já retratavam, na escuridão das cavernas, desenhos que documentavam seu cotidiano, a fauna e a flora, de forma pitoresca e criativa. Com o passar dos séculos e o desenvolvimento da humanidade, o ser humano continuou adotando formas de fazer esses registros. E, hoje, notamos que os profissionais da imagem da atualidade foram os fotógrafos de outrora que, com seus instrumentos rústicos, deixaram para a posteridade, seus ícones.

Do surgimento da fotografia no Século XIX – invenção do artista francês Louis Jacques Mande Daguerre (1787 – 1851) – aos tempos atuais, a imagem fascina a todos e seu olhar. O poder da imagem não se limita apenas a registrar o tempo, mas também expressa sentimentos e nos leva a conhecer lugares e novas culturas.

Retratando esse cotidiano o ser humano criou um arquivo da memória visual de seus antepassados. A moda retrata grandes mudanças no comportamento das populações, por exemplo. O registro do globo terrestre, nos dias de hoje, feito pela mais alta tecnologia de captura de imagens via satélites, aponta as mudanças dramáticas de nosso planeta. Mais do que nos fazer lembrar que um dia fomos jovens, a fotografia é, na verdade, uma grande ferramenta de registro do nosso tempo.

O designer da arqueologia brasileira

Foi no ano de 1986 que a fotografia surgiu para os meus olhos. Mas o universo com o qual eu sonhava em retratar ainda estava para se abrir. Numa visita ao amigo Antonio Adauto Leite, na pequena cidade de Carmo do Rio Claro, descobri objetos estranhos, de um mundo estranho do qual ainda tinha pouca intimidade e aquilo se fixou em minha retina como um desejo contido.

Muitos anos se passaram para que eu pudesse voltar os olhos àquelas peças que contavam uma história. Sempre vi com estranhamento e admiração as cerâmicas indígenas antigas. Algumas com mais de mil anos. Arqueólogos costumam dizer para que cada peça serve, porque foram feitas, mas há quem nunca compreendeu a razão de algumas existirem. Admiração?! Utensílio doméstico?! Ou simplesmente ARTE?!

Gosto de pensar que os artistas de outrora fizeram algumas destas peças simplesmente por serem artistas e com o único objetivo de admiração por seus desenhos, formas, cores ou, até mesmo, a funcionalidade ou a falta desta.

As imagens que selecionei para este post, abaixo, são o resultado de inúmeras viagens que realizei, durante as quais conheci coleções e acervos incríveis sobre arte indígena: desde o Museu Paraense Emilio Goeldi, passando pelo acervo particular do sertanista Orlando Villas Bôas, no Museu Amazônico e no Museu do Índio Catu-Aua, entre outros.

A fotografia acabou por me levar a estudos diversos. De ciência, arqueologia, antropologia, medicina, artes, literatura e, o mais importante: me levou a lugares que eu não imaginava que existissem. Foi uma boa viagem pelo tempo para a qual convidou vocês, agora:

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Urna Mortuária do Museu do Índio Catu-aua de Carmo do Rio Claro/MG

antropologia-visual-urna-mortuaria-antropomorfa-foto-renato-soares-conexao-planetaUrna mortuária antropomorfa (em forma de gente) de Silves AM, do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém/PA

antropologia-visual-machado-pedra-semilunar-foto-renato-soaresMachado de pedra semi lunar do Museu do Índio Catu-auá de Carmo do Rio Claro/MG

antropologia-visual-vaso-ceramica-indios-tapajos-foto-renato-soares-conexao-planetaVaso de cerâmica pertencente à cultura Tapajônica, produzido entre os séculos 14 e 16.
Os detalhes mostram figuras humanas e de animais. Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém/PA

antropologia-visual-pontas-flecha-foto-renato-soares-conexao-planetaPontas de flecha de pedra lascada encontradas as margens do Rio Sapucai em Minas Gerais.
Do Museu do Índio Catu-auá de Carmo do Rio Claro/MG

antropologia-visual-antropologia-visual-arte-brincos-yananomami-foto-renato-soares-conexao-planetaBrincos de penas da cultura Yanomami da coleção de arte plumaria do acervo da
Fundação Memorial da América Latina, em São Paulo/SP

antropologia-visual-lambrete-urubu-kaapor-foto-renato-soares-conexao-planetaLambrete Urubu Kaapor da coleção de arte plumaria do acervo da
Fundação Memorial da América Latina, em São Paulo/SP

antropologia-visual-roda-maruaga-com-desenhos-waiana-foto-renato-soares-conexao-planetaA Maruaga é feita de madeira e é colocada no teto da casa dos visitantes chamada Tucusipan.
Na maruaga são colocados desenhos com motivos que contam um pouco da mitologia dos povos Apalai e Waiana.
Coleção do acervo da Fundação  Memorial da América Latina, em São Paulo/SP

Fotógrafo e documentarista especializado no registro de povos indígenas, bem como da arte, cultura e biodiversidade do país. Mineiro, desde 1986 realiza viagens para retratar formas de expressão cultural dos grupos étnicos brasileiros. Colaborador do blog Por Trás das Câmeras, Renato descreve o que chama de “Diário de Campo”. É autor ainda do blog Ameríndios do Brasil, mesmo nome do seu projeto de fotografia com os índios

Renato Soares

Fotógrafo e documentarista especializado no registro de povos indígenas, bem como da arte, cultura e biodiversidade do país. Mineiro, desde 1986 realiza viagens para retratar formas de expressão cultural dos grupos étnicos brasileiros. Colaborador do blog Por Trás das Câmeras, Renato descreve o que chama de “Diário de Campo”. É autor ainda do blog Ameríndios do Brasil, mesmo nome do seu projeto de fotografia com os índios

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