Anta, gato-mourisco e maracajá, onça-parda e macaco-prego-de-crista são registrados novamente no sul da Bahia

Em março deste ano, contamos, aqui, que o projeto de monitoramento de onças pintadas havia identificado a presença de cinco novas espécies ameaçadas de extinção na RPPN* Estação Veracel , que fica na Costa do Descobrimento no sul da Bahia, em uma área de 6.069 hectares de Mata Atlântica, nos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz.

Na época, foram “capturados” pelas armadilhas fotográficas instaladas pelos pesquisadores a Irara (Eira Barbara, foto abaixo), o gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus, na foto acima), o mão pelada (Procyon cancrivorus), o tapiti (Sylvilagus brasilienses) e o ouriço-caixeiro (Coendou cf. insidiosus).

Agora, a mais recente campanha de monitoramento de mamíferos deixou os biólogos ainda mais animados. Eles celebram as reaparições da anta e do macaco-prego-de-crista (foto abaixo), animais ameaçados de extinção em nível mundial, além do gato-maracajá (foto abaixo), da onça-parda e do gato-mourisco (no destaque deste post, acima), ameaçados em nível nacional.

Os registros foram feitos na RPPN Estação Veracel e no Parque Nacional do Pau-Brasil, respectivamente.

Mas ainda revelaram mais uma novidade: aparições da capivara, espécie que ainda não havia sido registrada.

Realizado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/CENAP), em parceria com a Veracel, o Parque Nacional do Pau-Brasil e o Instituto Pró-Carnívoros, o projeto, já registrou um total de 32 espécies de mamíferos de médio e grande porte. Virgínia Camargos, bióloga e coordenadora da RPPN Estação Veracel explica a importância desses registros. “O monitoramento é importante para complementar os dados já obtidos e entendermos como está a interação das espécies na floresta, visando a conservação da onça-pintada na região”.

O estudo ter por objetivo acompanhar a onça-pintada (o último registro desse mamífero, na região, foi em 2017), mas, em longo prazo, pretende gerar informações sobre a presença e o comportamento das espécies registradas, auxiliando na definição de melhores estratégias de conservação. “Devido à intensa pressão de caça que a região sofre e os efeitos da fragmentação florestal da Mata Atlântica no Nordeste, essas duas áreas protegidas representam importantes refúgios para a fauna da região”, explica Marcelo Magioli, pesquisador associado do Instituto Pró-Carnívoros e do ICMBio/CENAP.

Até agora, os cinco animais mais “exibidos” da RPPN Estação Veracel, neste “ranking”, são: cotia (foto abaixo), tatu-galinha, cateto (foto abaixo), gambá-de-orelha-preta e veado (foto abaixo). Já no Parque Nacional Pau-Brasil, são: tatu-galinha, cateto, gambá-de-orelha-preta, paca e veado.

Vale ressaltar que, só na RPPN Estação Veracel, por ano, são registrados cerca de 700 indícios (como pegadas e galhos quebrados) ou vestígios (ratoeiras ou trabucos armados) de caça, em média. Repare na imagem do caçador armado, abaixo.

A presença e insistência de invasores e predadores humanos na região é constante, o que valoriza, ainda mais, o trabalho de monitoramento realizado com este projeto no sul da Bahia. É pra celebrar mesmo!

Caçador armado, no Parque do Pau Brasil

Fotos: Divulgação RPPN Estação Veracel

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Deixe uma resposta