Anta é elogio! Espécie ganha campanha para que a gente se orgulhe dela e a proteja

Já reparou que, quando uma pessoa quer ofender outra, diz logo o nome de um bicho: anta, baleia, burro, jumento, galinha, cobra e por aí vai. E quando se “xinga” alguém de anta, a intenção é dizer que aquela pessoa tem inteligência limitada, é burra ou fez algo estúpido. O que é uma baita injustiça!

Com esta imagem negativa, como é possível lutar contra sua extinção e por sua conservação? Como é possível ter orgulho desta espécie?

“Há inúmeros estudos que mostram que a espécie tem uma quantidade imensa de neurônios, o que confirma que ela é um animal extremamente inteligente. Portanto, a cultura brasileira de usar nome da anta como xingamento, com conotação pejorativa, é completamente injusta e absolutamente infundada. Ser chamado de anta, portanto, é um elogio!“, defende a pesquisadora Patrícia Médici, uma das maiores especialistas em anta e também uma de suas “ferozes” defensoras, diretora da INCAB (Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira), que é um programa do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas).

Pra quem não conhece, conto mais: a INCAB tem o maior banco de dados sobre antas no mundo. Esse projeto brasileiro busca implementar ações para reduzir os maiores riscos que atingem a espécie no país, como atropelamentos nas estradas, queimadas e contaminação por agrotóxicos, especialmente em áreas do Cerrado.

Pois, este ano, o IPÊ lançou uma campanha digital – Anta é elogio! – para que a gente conheça melhor a espécie e possa ter orgulho dela, parando de usar seu nome em vão e de forma pejorativa.

A ideia é que os usuários das redes sociais – Facebook, Twitter e Instagram – espalhem mensagens com a hashtag #AntaÉElogio e ajudem a disseminar informações sobre ela, não só no Dia Mundial da Anta, 27 de abril (quando vai ter um tuitaço), como em qualquer outro dia.

O Dia Mundial foi criado por conservacionistas para chamar a atenção para a espécie, alertar para os riscos de sua extinção em todo o mundo e sensibilizar as pessoas sobre a importância de sua proteção. Anote o dia em sua agenda para lembrar de celebrar sempre. Agora, voltando à campanha…

São tantas as qualidades que a anta reúne, que vai ser muito fácil aderir à campanha, veja só…

Além de ser extremamente inteligente, como já comentei acima, ela é considerada pelos pesquisadores como a jardineira das florestas porque dispersa sementes por áreas gigantes como nenhum outro bicho; também é uma espécie sentinela, porque ajuda a alertar para riscos presentes na região e que podem afetar outros animais; e ainda uma detetive ecológica, porque contribui com os pesquisadores para a compreensão das interrelações entre os diversos habitats por onde passa.

Para acompanhar mais de perto as noticias sobre a espécie, neste dia e sempre, acompanhe o Instituto IPÊ pelas redes: Facebook, Twitter e Instagram.

Detetive ecológica e sentinela

Foto: Divulgação Ipê

No mundo, existem quatro espécies de anta e todas estão indicadas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção da IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza, que é um dos inventários mais detalhados do mundo sobre o estado de conservação da natureza.

Na América do Sul, ela é o maior mamífero terrestre, considerada a jardineira das florestas, porque é uma excelente dispersora de sementes, contribuindo, de forma muito natural, para a formação e a manutenção da biodiversidade dos biomas onde vive. No Brasil, não são poucos: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Só não tem anta na Caatinga e nos Pampas.

Olha só como ela faz esse trabalho lindo. A anta é um animal herbívoro, que ingere entre oito e nove quilos de alimento por dia, incluindo folhas, ramos, brotos, caules, cascas de árvores, plantas aquáticas e frutos. E sabe o que acontece quando as sementes dos frutos consumidos chegam até o seu estômago? Elas são potencializadas. Essas sementes com certeza vão crescer e se tornar árvores.

A anta circula muito, geralmente numa área de aproximadamente 500 hectares (o que dá cerca de 500 campos de futebol), e dispersa sementes por todo o habitat, sendo este seu principal papel ecológico, o que significa que outras espécies se beneficiam de sua atuação na natureza.

Mas tem mais: ao se movimentar por distâncias tão longas – em seu habitat e e entre fragmentos de floresta – ela conecta diferentes tipos de ecossistemas. Por isso, é também considerada como uma detetive ecológica, “já que contribui para a compreensão das inter-relações entre o mosaico de habitats da paisagem”, explica Patrícia.

Também é considerada como espécie sentinela, capaz de alertar para os riscos presentes no ambiente onde outras espécies da fauna, animais domésticos e comunidades rurais vivem. “Pesquisas científicas feitas através de amostras biológicas de anta tais como sangue, tecido, entre outras, têm identificado substâncias perigosas que estão presentes nas regiões de estudo, tais como elevados níveis de agrotóxicos”, alerta a pesquisadora.

Muito peculiar

Esta foto de Zig Koch serviu de inspiração para o fotógrafo escrever texto delicioso –
A leveza da anta e as borboletas, publicado no blog Por Trás das Câmeras, aqui no Conexão Planeta

A anta brasileira pesa entre 180 e 300 quilos e pode medir entre 1,10 a 2 metros de comprimento. Bastante peculiar, possui uma pequena “tromba” conhecida como probóscide, uma crina curta e estreita ao longo do pescoço, pele acinzentada, orelhas com as pontas brancas e patas com diferentes números de dedos, sendo três nas patas da frente e quatro nas anteriores.

Outra curiosidade é que é um animal noturno/crepuscular, que descansa nas horas mais quentes do dia.

Sua gestação dura cerca de 13 a 14 meses e a fêmea gera apenas um único filhote, demorando até 5 meses para entrar no cio novamente. Por isso, demora entre um ano e meio a dois para ter outro filhote. Por isso, ações de preservação são tão importantes.

Quando bebê, é um dos filhotes mais fofos da natureza e tem a pele toda pintada (como dá pra ver numa das fotos abaixo).

Minha Amiga é uma Anta

Foto: Marcel Langthim/Pixabay

Esta não é a primeira vez que o IPÊ e o INCAB fazem campanha pela anta. Além de já ter criado outras ações para convidar as pessoas a parar de usar anta como xingamento, em 2013, apoiou o projeto de Patrícia Médici em parceria com a amiga e jornalista ambiental Liana John (que assina o blog Bioconecta, aqui no Conexão Planeta).

Foi um projeto educacional muito bacana que visava tornar a anta mais conhecida e mais próxima das crianças (e dos adultos), para também despertar orgulho pela espécie e desmitificar o conceito pejorativo tão arraigado na sociedade: Minha Amiga é uma Anta.

Na época, foi lançado um site, que não está mais no ar, mas o projeto ainda rendeu uma cartilha educativa impressa, ilustrada pelo cartunista Luccas Longo, disponível no site da SZB – Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil.

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Anta, a jardineira das florestas, ameaçada de extinção

Foto: 9956455/Pixabay (abertura)

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Um comentário em “Anta é elogio! Espécie ganha campanha para que a gente se orgulhe dela e a proteja

  • 27 de abril de 2019 em 11:21 AM
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    AMEI o texto!!! ANTA É ELOGIO!!!!

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