Animais de atrações turísticas de Bali sofrem abusos e maus-tratos, denuncia organização internacional

Animais de atrações turísticas de Bali sofrem abusos e maus-tratos, denuncia organização internacional

Mais de 5 milhões de turistas visitaram a ilha de Bali, na Indonésia, em 2017. O lugar é um destino famoso, principalmente, entre casais em lua-de-mel. Além dos programas nas praias paradisíacas, muita gente paga para poder entrar em contato com animais selvagens, como elefantes, orangotangos, tigres e golfinhos.

Mas o relatório Wildlife Abusement Park, recém-divulgado pela organização internacional World Animal Protection revela a situação deplorável que animais enfrentam nesses “parques de diversão”.

Foram investigados 26 locais que oferecem este tipo de turismo. Nenhum deles, nas ilhas de Bali, Lombok e Gili, apresentavam as mínimas condições necessárias para cuidar de animais em cativeiro.

A ONG descreve o cenário encontrado como “horripilante”. Abaixo, um resumo do que mais chocou os investigadores:

– Todos os golfinhos são mantidos em condições inadequadas – uma pequena piscina, com cerca de três metros de profundidade, abrigava quatro golfinhos-nariz-de-garrafa;
– Em um dos parques, os golfinhos tiveram seus dentes lixados ou removidos inteiramente;
– Todos os parques ofereciam passeios com elefantes. Os animais passam por um treinamento cruel e intenso, que envolve contenção severa e muita dor;
– Em todos os lugares há selfies com orangotangos. Forçados a entreter filas de turistas, muitos desses animais não têm liberdade de movimento, oportunidade de interação social e atividades estimulantes;
– 80% dos locais com primatas não atendem às necessidades básicas de animais selvagens em cativeiro;
– 100% dos parques com elefantes, tigres, golfinhos ou gatos civeta em cativeiro não atendem às necessidades básicas de animais selvagens.

“É uma tragédia que Bali, um destino tão bonito para os turistas, obriga seus animais selvagens em cativeiro a suportar condições tão grotescas e horríveis”, lamentou Steve McIvor, CEO da World Animal Protection. “Nos bastidores, animais silvestres ainda filhotes estão sendo arrancados de suas mães ou criados em cativeiro para serem mantidos em condições sujas e apertadas, ou repetidamente forçados a interagir com turistas por horas a fio”.

McIvor conclama os turistas que visitam a ilha a evitar estes parques. “Se você pode andar, abraçar ou ter uma selfie com um animal selvagem, então é cruel – não faça isso, não importa quantas ‘curtidas’ isso vai gerar nas redes sociais”, diz. “Estamos incentivando os turistas a boicotar empresas de viagens que promovem e apoiam locais cruéis. Elas devem ter a responsabilidade de revisar com urgência suas ofertas de Bali e garantir que não apoiam esses estabelecimentos assustadores”.

No fim de 2016, divulgamos aqui, nesta outra notícia, quando a gigante do turismo online, TripAdvisor, anunciou que deixaria de oferecer pacotes que incluíssem atrações em que existisse contato físico entre pessoas e animais.

Chega de nadar com golfinhos, montar em elefantes (mal tratados) e acariciar tigres (dopados)! Turistas, basta de crueldade com animais!

Foto: World Animal Protection

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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