Ampliando mundos: novos modos de produzir com negócios sociais

Modos alternativos de desenvolvimento e economia sempre me pegaram de jeito. Meu interesse começou com a economia solidária e foi se esparramando para outros modelos de fazer. Descobri os chamados negócios sociais, negócios de impacto, negócios com propósito, enfim. Os nomes são muitos e as propostas também.

Sigo eternamente interessada em modos de fazer coletivos, cooperados. Esses estarão sempre no centro de minha atenção. Mas comecei a descobrir outras formas de atuação que também fazem diferença na equação. Que a partir de uma ideia e um número menor de pessoas envolvem comunidades e grupos que são remunerados de modo justo e assim têm mais qualidade de vida.

Já trouxe aqui no Conexão alguns casos assim, como o Sumá, que beneficia agricultores familiares; o Soulphia, que integra mulheres em situação de rua no ensino de inglês; a Acreditar, que oferece crédito comunitário e valoriza as comunidades; o jaUBRA, aplicativo territorial que atende moradores de comunidade onde motoristas não chegam, dentre muitos outros.

Depois de um tempo, olhando tudo isso, é nitidamente perceptível que as pessoas que estão por trás dessas ideias, desses empreendimentos, partem de um mesmo ponto. Resolver um ‘problema’ de modo a gerar mais qualidade de vida para comunidades e grupos. E promover uma geração de renda mais justa para os envolvidos nos processos.

Eu devia este texto há um tempo. Quem é leitor do blog percebe que há outras coisas entrando aqui além da economia solidária. Escrevo sobre o que me toca. O que me move e me ajuda a ver luz no fim do túnel. Que me faz perceber que outros modos de produzir e estar no mundo são possíveis. Por isso, todas essas iniciativas se juntam agora ao meu campo de atenção. Seguem princípios diversos da economia solidária, não tenham dúvida quanto a isso. Mas me tocam também.

E espero que toquem vocês, que acompanham o meu blog, a partir de agora. Porque estarão se multiplicando e compondo esse espaço, junto, é claro, com as iniciativas de economia solidária.

Dentro desse espírito, nos próximos posts contarei aqui algumas dessas histórias vindas de uma região que até agora abordei pouco: a Amazônia. De 13 a 14 de novembro acontece em Manaus o 1º Fórum de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia. Estarei por lá para conhecer de perto algumas dessas iniciativas.

E algumas delas já começaram a me pegar de jeito. Como a chocolateria De Mendes, que trabalha com comunidades fornecedoras de cacau nativo no Pará, a partir do conceito de sociobiodiversidade. Ou a plataforma Onisafra, que aproxima o agricultor familiar do consumidor final em Manaus, e já se expande para outras cidades e estados.

Em todos os casos, ouvir a história de vida e a motivação das pessoas por trás das ideias, e ainda mais, as comunidades envolvidas, é algo que me inspira a valer. E espero que a vocês também.

Foto: Gaelle Marcel/Unsplash

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Deixe uma resposta