Amazônia tem quase 800 km2 de desmatamento em maio: aumento de 26% em relação a 2018

Desmatamento na Amazônia aumenta mais de 50% em janeiro

E a destruição da floresta continua sem freio. Assim como em abril, quando o monitoramento mensal realizado pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)*, indicou que o desmatamento na Amazônia cresceu 20% entre agosto de 2018 e abril de 2019, em abril último o levantamento apontou aumento de 26% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O Boletim do Desmatamento (SAD) detectou 797 km2 de desmatamento na Amazônia Legal, área que compreende nove estados brasileiros e corresponde a quase 60% do território nacional.

De acordo com o Imazon, em maio de 2019, os estados que mais desmataram foram Pará (40%), Amazonas (20%), Mato Grosso (19%), Rondônia (17%), Acre (3%) e Roraima (1%).

Amazônia tem quase 800 km2 de desmatamento em maio: aumento de 26% em relação a 2018

Os municípios onde houve maior perda de floresta foram Altamira (PA), São Félix do Xingu (PA), Porto Velho (RO), Novo Aripuanã (AM) e Lábrea (AM).

Unidades de Conservação sob ameaça

A maior parte do desmatamento em maio deste ano ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse (53%). O restante aconteceu em Unidades de Conservação (34%) – simplesmente inacreditável, não? -, assentamos (12%) e terras indígenas (1%).

A Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, no Pará, foi a UC mais desmatada, com 132km². Ainda no estado, a Floresta Nacional do Jamanxim e a Estação Ecológica Terra do Meio também obtiveram números críticos: 23 km² e 12 km² de desmatamento, respectivamente.

“Isso revela que essas áreas, que deveriam ter desmatamento zero, estão sob severo ataque”, alerta o Imazon.

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Retrocesso ambiental em alta

Recentemente, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também divulgou números alarmantes, conforme mostramos neste outro post.

Segundo o Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), nos primeiros quinze dias do mês de maio, a Amazônia perdeu 19 hectares/hora ou 6.880 hectares de floresta preservada, o equivalente a 7 mil campos de futebol. Foi o pior índice em uma década.

Para complicar ainda mais o cenário ambiental no país, que atualmente sofre ataques constantes do governo federal, um estudo inédito revelou que Brasil e Estados Unidos são os líderes em um ranking global de retrocesso ambiental dos últimos 20 anos.

O levantamento, realizado por cientistas de universidades de diversos países e coordenado pela organização Conservação Internacional, analisou a extinção, a redução de tamanho e a diminuição de restrições de áreas protegidas em 73 nações. No Brasil, cerca de metade da remoção legal de proteções foi feita para autorizar a construção de represas hidrelétricas.

Os alertas de desmatamento e degradação florestal realizados pelo Imazon são gerados pela plataforma Google Earth Engine (EE), com a utilização de imagens de satélites e mapas digitais. Todavia, os índices de deflorestamento da Amazônia publicados pelo instituto não são oficiais. O governo só leva em conta os dados elaborados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que frequentemente apresenta números diferentes aos do Imazon. A discrepância nos resultados se dá ao uso de metodologias distintas de avaliação.

*O Imazon é um instituto nacional de pesquisa, sem fins lucrativos, composto por pesquisadores brasileiros, fundado em Belém há 29 anos. Através do sofisticado Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), a organização realiza, há mais de uma década, o trabalho de monitoramento e divulgação de dados sobre o desmatamento e degradação da Amazônia Legal, fornecendo mensalmente alertas independentes e transparentes para orientar mudanças de comportamento que resultem em reduções significativas da destruição das florestas em prol de um desenvolvimento sustentável

Foto: Felipe Werneck/Ibama/Creative Commons/Flickr (abertura) e gráficos divulgação Imazon

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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