Amazônia perde 1.287 km2 de florestas em julho, indica monitoramento do Imazon

Amazônia perde 1.287 km2 de florestas em julho, indica monitoramento do Imazon

Mensalmente, o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)* realiza o levantamento do desmatamento da Floresta Amazônica, através de dados gerados pela plataforma Google Earth Engine (EE), com a utilização de imagens de satélites e mapas digitais.

O último monitoramento aponta que em julho de 2019 foram devastados 1.287 km2 de florestas, um aumento de 66% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o desmatamento somou 777 km2.

Durante o período analisado, os estados que mais derrubaram vegetação foram Pará (36%), Amazonas (20%), Rondônia (15%), Acre (15%), Mato Grosso (12%) e Roraima (2%).

Amazônia perde 1.287 km2 de florestas em julho, indica monitoramento do Imazon

Um fato preocupante é que, do total desmatado, 19% ocorreu em Unidades de Conservação (UCs), áreas onde a floresta deveria estar protegida. E apenas um delas concentrou 82% de todo o deflorestamento: na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará,

Já o calendário de desmatamento 2019, que avalia o período de agosto de 2018 a julho de 2019, o desmatamento na Amazônia Legal foi de 5.054 km2, indicando um salto de 15% em relação ao mesmo período do calendário anterior.

Protestos internacionais

Recentemente, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou que o número total de alertas de sistema rápido Deter, em julho, mostrava 6.833 km2 devastados na Amazônia. A discrepância entre os dados do instituto e do Imazon é porque ambos utilizam sistemas diferentes.

Todavia, o que mais causa preocupação é que, sem dúvida nenhuma, há um aumento real, mês a mês, no desmatamento. E isso é uma tendência que se repete nos últimos anos.

Preocupados com a falta de controle do desmatamento e as políticas ambientais do atual governo brasileiro, enfraquecendo órgão de proteção e colocando dúvida sobre dados científicos de monitoramento, a Noruega cortou repasse de R$ 130 milhões para projetos do Fundo Amazônia, dias depois da Alemanha também suspender financiamento de R$ 155 milhões a projetos de preservação na região (entenda como o fundo funciona e como ele corre o risco de ser extinto nesta outra matéria).

*O Imazon é um instituto nacional de pesquisa, sem fins lucrativos, composto por pesquisadores brasileiros, fundado em Belém há 29 anos. Através do sofisticado Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), a organização realiza, há mais de uma década, o trabalho de monitoramento e divulgação de dados sobre o desmatamento e degradação da Amazônia Legal, fornecendo mensalmente alertas independentes e transparentes para orientar mudanças de comportamento que resultem em reduções significativas da destruição das florestas em prol de um desenvolvimento sustentável

Foto: Sentinel Hub/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

3 comentários em “Amazônia perde 1.287 km2 de florestas em julho, indica monitoramento do Imazon

  • 19 de agosto de 2019 em 10:00 PM
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    Sobre os kms de floresta que aparecem na imagem de satélite. Na parte verde claro é dematamento também? Alguém sabe explicar?

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    • 19 de agosto de 2019 em 10:34 PM
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      Alexandre,
      A imagem é conceitual, mas a parte verde clara mostra áreas de desmatamento na Amazônia.
      Abraço,
      Suzana

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