Amazônia: mais da metade das espécies de árvores sob ameaça

Floresta ao longo do Rio Jaú, no Parque Nacional do Jaú, uma das maiores unidade de conservação da Amazônia
Floresta ao longo do Rio Jaú, no Parque Nacional do Jaú, uma das maiores unidade de conservação brasileiras, com 2,36 milhões de hectares, localizada nos estados do Amazonas e de Roraima

Cerca de 160 cientistas, de 21 países, se uniram para fazer um alerta preocupante. Mais da metade das espécies de árvores da Amazônia está ameaçada em todo o planeta, revela estudo divulgado na última semana. Porém, ainda há esperança: a pesquisa sugere que parques nacionais, reservas e territórios indígenas – se manejados corretamente – podem proteger a maior parte das espécies ameaçadas.

Publicado pela revista científica Science Advances, o estudo foi liderado por Hans ter Steege, do Centro Naturalis de Biodiversidade, na Holanda, e por Nigel Pitman, do Museu Field, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores compararam dados de inventários florestais na Amazônia com mapas de estimativas de desmatamento atuais e projetadas. A partir disso, avaliaram quantas espécies foram perdidas e onde. Os autores concluíram que entre 36 e 57% das cerca de 15 mil espécies de árvores amazônicas poderiam ser classificadas como globalmente ameaçadas, segundo os critérios da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN.

“Não estamos dizendo que a situação na Amazônia ficou pior repentinamente para as espécies de árvores. Apenas oferecemos uma nova estimativa de como as espécies estão sendo prejudicadas pelo desmatamento histórico e como elas serão afetadas pela perda de florestas no futuro”, afirma Pitman.

Além disso, os cientistas afirmam que, como as mesmas tendências observadas na Amazônia se aplicam nos trópicos do mundo todo, a maior parte das 40 mil espécies de árvores tropicais também seriam, provavelmente, classificadas como globalmente ameaçadas.

A boa notícia é que as áreas protegidas e os territórios indígenas agora compreendem mais da metade da Bacia Amazônica e contém populações consideráveis da maior parte das espécies ameaçadas. “É o tipo de notícia sobre a Amazônia que não ouvimos o bastante”, diz ter Steege. “Nas últimas décadas, países amazônicos deram passos importantes para a expansão dos parques nacionais e para assegurar os direitos indígenas à terra. E nosso estudo mostra que isso traz muitos benefícios para a biodiversidade.”

Desafios para a Amazônia

No entanto, parques nacionais e reservas só impedirão a extinção de espécies ameaçadas se não sofrerem mais degradação, enfatiza o artigo. Os autores alertam que as reservas ainda sofrem diversas ameaças, como a construção de barragens, a mineração, as queimadas, as secas intensificadas pelas mudanças climáticas e as invasões às terras indígenas.

“É uma batalha que continuará ao longo de toda a nossa vida. Ou nós nos mobilizamos para proteger esses parques e reservas indígenas, ou o desmatamento vai erodi-los até que vejamos extinções em larga escala”, finaliza o coautor do estudo William Laurance, da Universidade James Cook, na Australia.

Foto: Hans ter Steege

Marina Maciel

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

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