Algodão colorido mobiliza economia solidária na Paraíba

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O algodão colorido orgânico produzido no estado da Paraíba levou oportunidades para uma região onde essa cultura havia sido praticamente dizimada, no início da década de 1980, por causa de um pequeno besouro, o bicudo-do-algodoeiro. A partir do trabalho da Embrapa, em Campina Grande, sementes de antigos pés de algodão foram coletadas no interior da Paraíba e em outros estados no Nordeste, tendo seus genes aprimorados e fortalecidos para retornar à lavoura.

Mas engana-se quem pensa que o algodão colorido foi criado em laboratório ou é resultado de alterações genéticas da variedade branca. Há registros de sua existência em diversos países desde antes de Cristo. Os produtores optaram pelo predomínio da fibra branca por causa da facilidade de tingimento da indústria têxtil.

Hoje, o cultivo das variedades coloridas recuperou a economia no interior da Paraíba, incluindo a agricultura familiar e associações de tecelões que usam a fibra para produzir peças artesanais. O produto é também amigável ao meio ambiente, já que não polui por dispensar toda a etapa de tingimento.

É aqui, em meio a essas nuvens coloridas, que encontramos o Consórcio Natural Fashion. Criado no ano 2000, em Campina Grande, com objetivo de fortalecer as empresas têxteis e de confecção locais, encontrou nesse algodão um produto competitivo para o mercado. Três anos depois, com o crescimento das atividades do consórcio, foi criada a Cooperativa de Produção Têxtil e Afins do Algodão do Estado da Paraíba (CoopNatural), que começou com dez empresas de confecção e tecelagem e, hoje, conta com mais de 30 cooperados.

A CoopNatural organizou o plantio, articulada com a Rede Paraíba de Algodão Agroecológico, e certificou as áreas plantadas, em sua maioria assentamentos. Hoje cerca de 25 municípios e núcleos agrícolas plantam e são apoiados pela cooperativa.

divulgacaonaturalfashionA rede mobilizada nessa produção é bem ampla, formada por empresas de confecção, serigrafia, tecelagem, calçados, bolsas e acessórios, associações de artesãs, cooperativas de artesanato, clubes de mães e artesãos autônomos, gerando mais de 800 empregos diretos.

Técnicas artesanais como crochê, macramê, renascença, bordado manual, aplicação e tecelagem são utilizadas nas peças, valorizando a cultura nordestina. O resultado de toda essa cadeia inclusiva são roupas, acessórios, brinquedos e objetos de decoração em algodão orgânico certificado com o selo da Associação do Instituto Biodinâmico (IBD).

O Consórcio Natural Fashion está presente em 18 estados do Brasil e em vários outros países como Itália, Espanha, Noruega, Alemanha, Suíça e Holanda, para onde exporta suas peças.

Projeto 43

A CoopNatural é também fornecedora de camisetas estampadas para o Projeto 43, que nasceu da vontade de juntar a arte com o consumo consciente. As peças, com tiragens limitadas, são feitas em algodão orgânico e estampadas com desenhos de diversos artistas.

A cooperativa fornece as peças estampadas a partir das artes enviadas pelo projeto. Além de fortalecer a cadeia produtiva do algodão na Paraíba, a iniciativa busca valorizar os artistas e experimentar a camiseta como plataforma para seus trabalhos.

As vendas são feitas pelo site do Projeto 43, e nesse fim de ano o Mapa do Consumo Solidário, sobre o qual já falei aqui no blog, promove campanha oferecendo desconto nas camisetas para pedidos até 30 de novembro, com entrega na cidade de São Paulo.

Conheça um pouco mais do trabalho da CoopNatural na entrevista abaixo, com Maysa Gadelha, presidente do consórcio Natural Fashion, quando foi indicada ao Prêmio Claudia:

Fotos: Divulgação – CoopNatural e Secom Paraíba

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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