Além da Cura: projeto dará a volta ao mundo para conhecer e valorizar mulheres com câncer

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Quando um amigo de infância disse à Bruna Monteiro que estava com câncer, ela perdeu o chão. Não sabia o que fazer, o que dizer. Foi o primeiro contato que teve com a doença. Não fazia ideia de sua dimensão, do que aconteceria com seu amigo, se ele poderia se salvar, como seria o tratamento, o que ela poderia/deveria fazer por ele dali pra frente. Por isso, resolveu dedicar-se à pesquisa da doença. Queria entender o que sentem as pessoas que descobrem e precisam enfrentar esse diagnóstico tão cruel.

Isso aconteceu quando ela estava no último ano da faculdade. Decidiu, então, abraçar a pesquisa e escrever um livro O Peso do Vento, lançado, em 2013, com o artista plástico Vitor Maristane  – para o qual entrevistou mulheres que estavam em tratamento. Ao contrário do que imaginava, encontrou pessoas que se viram rendidas diante da morte, mas que decidiram lutar pela vida. Em alguns casos, acompanhou essas transformações. Para chegar a esse estágio de fortaleza, todas passaram por um processo grande de autoconhecimento, que lhes trouxe muita fé e uma enorme estima por elas mesmas, independente da mudança física que a doença operava. Claro que com acompanhamento médico e de psicólogos.

“O diagnóstico do câncer muda tudo: os pensamentos, a imagem que se tem de si, traz muita incerteza”, destaca Bruna. “É a doença que mais causa medo no mundo. E tem um impacto grande nas mulheres, principalmente por causa dos padrões de beleza impostos pela sociedade”. Uma das histórias que conheceu a marcou profundamente: foi a de Anne Dias, que contou à jornalista: “A primeira vez em que me vi bonita, durante o tratamento, foi quando me maquiei, porque a autoestima está dentro de você e não é só maquiagem e cabelo, é a forma como as pessoas nos veem e a forma como queremos ser vistas”.

O câncer em outras culturas

alem-da-cura-logo-A realização desse trabalho foi inspiradora tanto para Bruna, como para as mulheres com as quais conviveu. E, a partir dessa experiência, ela e Vitor desenharam a continuidade desse trabalho, criando o projeto Além da Cura com a realização de um documentário. A ideia dos dois é viajar de maio de 2016 a maio de 2017 por países diversos, dos cinco continentes, e entrevistar 200 mulheres que fizeram ou fazem tratamento contra o câncer para poder compreender melhor esse universo e inspirar outras mulheres à superação. A saída está prevista para 27 de abril.

“Queremos descobrir como as mulheres lidam com essa descoberta e o tratamento em diferentes contextos culturais, sociais e econômicos e quais são as melhores práticas de cada uma”, explica Vitor. “Queremos espalhar essas boas práticas”.

A ideia é que as narrativas já façam transformações e impactem positivamente as mulheres entrevistadas e que a viagem seja, por si só, uma campanha, reunindo pessoas com uma mesma finalidade e chamando a atenção para o debate e a desmitificação do tema. “Queremos, juntos com essas mulheres, criar uma nova cara para a doença, para o câncer”, destaca Bruna.

Para realizar o projeto, os dois ativistas contarão com a orientação de instituições de câncer locais. “Elas nos indicarão mulheres que tenham boas histórias e concordem em falar”, conta Bruna. “E, como existe a questão da língua – nós falamos apenas inglês – precisaremos contar com elas também para ter a ajuda de tradutores ou nos indicarem mulheres que falam inglês”.

Para o documentário, serão selecionadas cerca de 20 histórias. As demais serão apresentadas periodicamente em sua página no Facebook e também em um site interativo, que ainda será lançado. Serão drops sobre a viagem, detalhes sobre as entrevistas realizadas e 4 vídeos mensais com histórias das mulheres que conhecerem pelo caminho, além de campanhas de conscientização. O perfil do projeto no Instagram – @alemdacura – também será atualizado com boas histórias colhidas na viagem.

“Vaquinha” online

Mas, para fazer tudo isso – viagem, captação, edição, divulgação etc -, Bruna e Vitor precisam de 110 mil reais. Mais da metade eles já têm. Para conseguir o restante, criaram uma campanha de crowdfunding na plataforma Catarse, num sistema arriscado de tudo ou nada, ou seja, se eles arrecadarem o valor total ficam com ele. Do contrário, voltam à estaca zero, sem recursos para completar o projeto, e o dinheiro será devolvido a quem doou. Corajosos! Falta metade do dinheiro, mas só 9 dias de campanha!!

“Hoje, é sabido que tumores nos estágios iniciais têm entre 85% e 100% de chance de cura. “É preciso entender que doenças oncológicas não são sentenças de morte”, destaca o vídeo da campanha, que você pode assistir abaixo. E a postura das mulheres diante da doença determina boa parte do sucesso do tratamento e sua recuperação. Por isso é que espalhar histórias inspiradoras é tão importante.

“Eu desejo que, com esse projeto, o mundo pare de ver quem está doente com olhar de coitadinho”, diz Anne Dias, também no filme promocional:

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Fotos: Divulgação

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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