Água de rios, córregos e lagos em ‘estado de alerta’, revela pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica

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Neste Dia Mundial da Água, inúmeras campanhas – que envolvem celebridades pelo mundo, inclusive – ganham força e nos fazem ter esperança de que é possível melhorar a qualidade de vida de quem ainda não tem acesso à água limpa, apesar de ser um bem básico. Mas, hoje, não há muito boas notícias. Os brasileiros têm uma tragédia recente para relembrar ou nunca esquecer: a do Rio Doce e Mariana (a região mais atingida), que é apenas o reflexo da forma como lidamos com nossos cursos de água, historicamente. Além disso, o saneamento que deveria ser básico, continua sendo um luxo, para poucos.

agua-sos-mata-atlanticaO resultado da pesquisa realizada pela Fundação SOS Mata Atlânticade março de 2015 a fevereiro de 2016, período em que as regiões Sudeste e Nordeste sofreram estiagem histórica -, traz à tona essas questões e é estarrecedor: boa parte da água dos 183 rios, córregos e lagos do Brasil analisados – 59,2% – é regular, ou seja: sem qualidade para consumo ou contato, um estado que pode ser considerado de alerta. Nem a chuva que tem caído bravamente em alguns pontos do país não melhorou a situação. Apenas afastou o fantasma da seca por um tempo.

O ranking – que faz parte do projeto Observando os Rios – analisou 76 municípios de 11 estados brasileiros, mais o Distrito Federal. Em nenhum dos 289 pontos de coleta o recurso recebeu nota máxima. E mais: 36,3% apresenta água de qualidade ruim ou péssima e apenas 4,5% (cerca de 13 pontos) tem água considerada de boa qualidade.

Até 2020, todos os estados da Mata Atlântica

A cidade de São Paulo perdeu dois pontos que, até 2015, tinham água de boa qualidade: as áreas de manancial no Parque dos Búfalos (Represa Billings) e em Parelheiros (Represas Billings e Guarapiranga). O motivo é a pressão causada por novas ocupações (legais ou ilegais) e alteração no uso do solo, principalmente nas áreas de mananciais. É bom lembrar que, recentemente, a prefeitura autorizou a construção de edifícios residenciais no Parque dos Búfalos, o que causou diversas manifestações populares e de ONGs, sem sucesso.

No estado do Rio de Janeiro, foram avaliados 27 rios e nenhum tem qualidade boa: foram medidos 30 pontos, sendo que 22 (73,3%) estão localizados na cidade do RJ, em situação de alerta.

Os demais rios analisados (32) estão situados no Distrito Federal e nos estados do Alagoas, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Paraíba, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, o projeto Observando os Rios deve ser ampliado nos próximos anos. A ideia é criar dez novos grupos, em nove Estados, para alcançar, em 2020, a meta de monitorar todos os 17 Estados da Mata Atlântica.

O saneamento, postergado

De acordo com Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, “os indicadores apresentados reforçam a importância da campanha Saneamento Já, que tem como missão engajar a sociedade em uma petição pela universalização do saneamento e por água limpa nas praias e nos rios brasileiros”. Vale lembrar que este também é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano.

Ela conta também que o Plano Nacional de Saneamento Básico postergou a universalização do saneamento no Brasil de 2020 para 2033. Isso aconteceu devido à falta de investimentos no tratamento de esgoto e para acabar com os lixões nos municípios. “O resultado é a precária condição de saneamento ambiental das bacias analisadas, com agravamento dos indicadores de saúde pública e o aumento das doenças de veiculação hídrica”, destaca a especialista.

Fotos: Valdo Perereca/Flickr

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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