Agora, está provado: até o ser humano tem micropartículas plásticas em seu organismo!


Agora, até o ser humano tem micropartículas plásticas em seu organismo

Se somos o que comemos, então estamos nos tornando “plásticos” também. Porque, segundo uma pesquisa internacional inédita, parece que há resíduos plásticos em nosso prato.

Uma equipe de pesquisadores da Agência de Meio Ambiente da Áustria e da Universidade de Medicina de Viena analisou as fezes de pessoas da Finlândia, Itália, Holanda, Polônia, Áustria, Reino Unido, Japão e Rússia e, em todas elas, encontrou traços de micropartículas plásticas (resíduos com menos de 5 milímetros).

Segundo os cientistas, apesar do estudo ter sido realizado em pequena escala, pode indicar que o plástico já está espalhado pela nossa cadeia alimentar. Nas amostras de fezes, foram detectados dez tipos diferentes do material sintético. Em média, em cada 10 gramas de “cocô”, havia 20 micropartículas plásticas.

Todos os participantes do estudo mantiveram também um diário sobre a dieta alimentar, que revelou o consumo de alimentos embalados com plástico e a ingestão de bebidas em copos feito do mesmo material.

Os pesquisadores afirmam que o microplástico pode afetar a saúde humana através do trato intestinal, onde poderia provocar a tolerância e a resposta imune do intestino por bioacumulação ou auxiliando a transmissão de produtos químicos tóxicos e patógenos.

“Uma preocupação em especial é o que isso significa para nós e especialmente para os pacientes com doenças gastrointestinais. Embora as maiores concentrações de plástico em estudos com animais tenham sido encontradas no intestino, micropartículas plásticas são capazes de entrar na corrente sanguínea, no sistema linfático e até, chegar ao fígado”, disse Philipp Schwabl, principal autor do estudo. “Agora que temos a primeira evidência da presença de microplásticos dentro de humanos, precisamos de mais pesquisas para entender o que isso significa para a saúde humana ”.

Plástico: dos oceanos para os nossos pratos

No ano passado noticiamos aqui, neste outro post, que mais de 30% dos peixes pescados na costa do Reino Unido tinham plástico em seus organismos. Bacalhau, sardinhas, cavalinha e até, crustáceos estavam contaminados com micropartículas plásticas. De acordo com o autor do artigo, Richard Thompson, o despejo de lixo nos oceanos, que se intensificou a partir da década de 60, atingiu proporções assustadoras.

Ao ser jogado no mar, o plástico é “quebrado” em minúsculas partículas. Com o passar do tempo, estes microrresíduos são encobertos por bactérias e algas, e assim, confundidos por alimentos pelos peixes.

A análise feita pela equipe da Universidade de Plymouth revelou que os animais marinhos estão ingerindo polietileno, nylon e acrílico.

E não é só nossa comida que está contaminada. Fibras plásticas estão presentes na água que o mundo inteiro bebe, inclusive, o Brasil. Em outro estudo, divulgado em 2017, foi constatado que, de dez amostras de água de torneiras de São Paulo, nove continham partículas de plástico.

Oito milhões de toneladas de plástico acabam parando nos oceanos por ano. Estima-se, que 5,2 trilhões de fragmentos plásticos estejam boiando ou depositados no fundo da água.

E anualmente, a produção deste material sintético aumenta cada vez mais. Em 1964, foram 15 milhões de toneladas de plástico fabricadas. Em 2015, este número pulou para 322 milhões de toneladas.

Um estudo conduzido em 2015, em mercados da Califórnia e Indonésia, dois pontos extremos do planeta, examinou o que havia nos estômagos dos peixes comercializados nestes locais. O resultado mostrou que um em cada quatro peixes tinha plástico em seu organismo.

Mais ampla ainda foi a pesquisa Plastics in Seafood”,  realizada pelo Greenpeace, no ano passado. Nela, dados de diversos países, entre eles, o Brasil, comprovam que a contaminação dos peixes com partículas plásticas é generalizada.

*Com informações da Agência de Meio Ambiente da Áustria

Leia também:
Principais marcas de água em garrafa do mundo estão contaminadas com microplástico, denuncia novo estudo
Rio de Janeiro é primeiro estado do Brasil a proibir produtos com microesferas plásticas

Microplástico contamina solo até de montanhas mais remotas da Suíça

Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Um comentário em “Agora, está provado: até o ser humano tem micropartículas plásticas em seu organismo!

  • 23 de outubro de 2018 em 2:11 PM
    Permalink

    E a gente queria o quê, gente boa? A gente leva décadas bagunçando com o Planeta, pintando e bordando com o meio ambiente, mandando às favas a proteção à fauna e flora, despejando a escória diária da nossa vida “civilizada” nos mares e rios, consumindo e deletando eletrônicos como se fossem bananas, avançando com o asfalto sobre os lares de animais selvagens e silvestres, portanto muito compreensível que estejamos colhendo o que plantamos, engolindo o que fabricamos da mesma forma que tartarugas e baleias estão, com a diferença de que nós somos os culpados, elas são as vítimas.

    Resposta

Deixe uma resposta