A Vila Madalena, os índios Munduruku e as vítimas do Rio Doce são homenageados na 7a. Mostra SP de Fotografia

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Vinte e seis exposições fotográficas espalhadas por ruas, lojas, galerias, restaurantes e espaços de arte da Vila Madalena contam a história do bairro de ontem e de hoje, por meio de registros históricos – resgatados nos velhos álbuns dos primeiros moradores – e de imagens mais recentes. E ainda há duas exposições comoventes que homenageiam os índios Munduruku (foto acima), que venceram a luta contra a construção da hidrelétrica no rio Tapajós, e as vítimas da tragédia do Rio Doce, em MG.

mostra-sp-fotografia-raquel-brust-madalenas-600Elas integram a 7ª. Mostra SP de Fotografia, promovida pela DOC Galeria, de 22/10 a 19/11 – com curadoria dos fotógrafos João Kehl e Rafael Jacinto -, que também terá diversas atividades paralelas como oficinas para crianças e bate-papos.

Raquel Brust (conhecida pelos rostos gigantes que estampou embaixo do elevado Minhocão, em São Paulo, agora retrata as irmãs que deram nome às Vilas Madalena, Ida e Beatriz), Rogério Assis, Paulo Batalha, o Coletivo Trema, Fabs Grassi, José Diniz, Fernando Costa Netto, Hudson Rodrigues, Felipe Larozza, além de Bruno Miranda, Tadeu Jungle, Maurício Simonetti, Aline Lata, Gabriel Lordello, Gustavo Miranda, Aline Lata, Avener Prado, e Helena Wolfenson, entre outros que fazem parte da Coletiva Rio Doce, são alguns dos nomes presentes.

Lá estão: a Vila Madalena dos anos 40; seus moradores mais antigos, sobreviventes e refugiados; o clube A Torre (anos 90); habitués da famosa Mercearia São Pedro; fachadas dos sobrados demolidos; a rainha da bateria Pérola Negra e a feira de um dos bairros mais famosos e cultuados da cidade. Os formatos apresentados ao público variam entre ampliações gigantes ou estilo lambe-lambe, cartões postais, projeções, entre outras.

Índios Munduruku: resistência ou morte!

mostra-sp-fotografia-munduruku-rogerio-assis-meio-de-texto“Os Munduruku são um povo guerreiro e generoso. E foi essa generosidade que me permitiu retratá-los e revelar um pouco de sua nobreza, de sua tenacidade e do seu respeito pela vida e pela natureza”, conta o fotógrafo Rogério Assis. Ele desenvolve diversos trabalhos de documentação para ONGs como o Greenpeace e o ISA – Instituto SocioAmbiental.

Suas belíssimas imagens – que agora compõem a exposição Resistência ou Morte! – estão coladas em oito muros na Rua Medeiros de Albuquerque, próximo ao Beco do Batman. Com esta mostra, ele não só homenageia a coragem dos índios e sua vitória contra a construção da usina hidrelétrica de São Luiz dos Tapajós, como o rio que corre sob o asfalto – o Rio Verde. As obras marcam um pouco do seu trajeto. Marina Yamakoka, ativista e amiga de Rogério, descreveu essa na apresentação da exposição:

“A série de retratos de índios Munduruku desenterra o rio Verde, curso de água invisível que foi soterrado para dar abertura a ruas e construções em Pinheiros. O acelerado processo de urbanização em São Paulo no começo do século levou ao desaparecimento de vários rios e córregos, hoje, ocultos e despercebidos. Ao mesmo tempo em que as fotografias revelam o local onde, um dia, houve água corrente e um rio vivo, elas são expressão da resistência do povo Munduruku, no rio Tapajós”.

O retrato lindo, acima, foi depredado na mesma noite da montagem da exposição, como relatou Rogério em sua página no Facebook – “Os Munduruku resistem há anos contra a construção de uma hidrelétrica no meio de suas terras na Amazônia, mas suas imagens não resistiram 24hs à covardia de um imbecil na selva paulistana” – e, depois, em seu blog: São Paulo e os indígenas. A obra foi recolocada no mesmo lugar.

symbiosis-roberta-carvalho-mostra-sp-de-fotografia-800O rio vivo e o rio quase morto

Outra artista que também quer provocar reflexões sobre os inúmeros córregos e rios enterrados pela urbanização de São Paulo, é a paraense Roberta Carvalho.

Sua mega-projeção – que será realizada na copa de uma árvore em frente ao local da festa de abertura da Mostra – traz o olhar do povo ribeirinho que vive às margens de um rio vivo na Ilha de Combú, no Pará, para as margens do Rio Verde, na Vila Madalena.

Entre nas rodas de conversa e faça lambe-lambe com a garotada

OS REFUGIADOS
28/10, sexta, às 19h, na Ebac (Escola Britânica de Artes Criativas)
Felipe Redondo, Leonardo Soares, Rodrigo Capote e Gabo Morales, do Coletivo Trëma, reconstituem as memórias de imigrantes, com mediação do advogado e ativista Daniel Biral e Fernando Costa Neto, da DOC Galeria. Na Ebac também está a exposição do coletivo sobre esse tema.

UM ANO DE MARIANA
5/11, a partir das 12h, na DOC Galeria

Nesse dia, faz um ano que a maior tragédia ambiental brasileira aconteceu e devastou cidades como Bento Rodrigues e Mariana. E será nesse dia também que o público poderá conversar com os profissionais que participam da exposição Coletiva Rio Doce – de Regência à Mariana, com curadoria de Bruno Miranda, além dos idealizadores da iniciativa Um Minuto de Sirene.

AMAZÔNIA, FOTOGRAFIA E ECOATIVISMO
12/11, às 11h, na DOC Galeria

O fotógrafo Rogério Assis – que acompanha os índios brasileiros há mais de uma década – e o videomaker Fabio Nascimento (de quem já falei aqui no Conexão) conversam sobre Amazônia, fotografia e ecoativismo. Após o encontro, o restaurante Coronel Santinho servirá prato típico paraense, a maniçoba (custo: R$ 60/pessoa). Informações e inscrições: (11) 2592 7922 e [email protected]

Na programação, outros bate-papos e também uma oficina de lambe-lambe para a criançada de 5 a 12 anos (acompanhadas de seus pais), no dia 29/10, das 10h às 14h30. Informações e inscrições: [email protected]

Quem e onde na 7ª. Mostra

Acompanhem as novidades pela página da mostra no Facebook. Aqui, os artistas e coletivos que participam desta edição e onde encontrar suas obras:

Rogério Assis | Resistência ou Morte
Muros próximos ao Beco do Batman que seguem o percurso do Rio Verde, na Rua Medeiros de Albuquerque (em direção à Rua Luís Murat)

Raquel Brust | Madalena[s], Beatriz[es], Ida[s]
Rua Simpatia com Praça José Alfonso de Almeida

Coletiva Rio Doce | De Regência à Mariana
DOC Galeria: Rua Aspicuelta, 145. Abertura em 5/11, a partir das 12h.

Eduardo José Afonso | Espaços da Memória

DOC Galeria: Rua Aspicuelta, 145

Luisa Dörr
DOC Galeria: Rua Aspicuelta, 145.

Fernando Martinho | Antes que a casa caia
Marcenaria Baraúna: Rua Harmonia, 101

Coleções de Moradores | Álbum da Vila 
Loja Luiza Perea: Rua Girassol, 157

Coletivo Trëma | Carte de Visite
EBAC – Escola Britânica de Artes Criativas: Rua Mourato Coelho, 1404

Fernando Costa Netto | Moradores
Restaurante Banana Verde: Rua Harmonia, 278

Hudson Rodrigues e Felipe Larozza | Dia de Feira
Muro na Rua Girassol, 326

Hudson Rodrigues | Dia de Feira
Portão Coletivo Cultural: Rua Mourato Coelho, 1017

Felipe Larozza | Dia de Feira
Loja Farm: Rua Harmonia, 57

José Diniz | Mercearia São Pedro
Muro na Rua Faisão, 43

Letícia Ranzani | Multidão densa de indivíduos próximos, mas subjetivamente separados
Tapumes na Rua Harmonia esquina com Rua Faisão

Paulo Batalha | B.O.
Portão Galeria Crivo: Rua Aspicuelta, 673

Anos 40 – Acervo Rosinha e Antonio Landi
Fernanda Yamamoto: Rua Aspicuelta, 441

Zé Vicente | Colagem, paisagem, miragem
A obra está instalada no Instituto Chão, mas deve ser apreciada pelo terraço da DOC Galeria e pelo Beco do Batman

Talita Virgínia | Paleta
Loja My Fots: Rua Aspicuelta, 216

Ana Beatriz Elorza | Inverno – VM 
DOC Galeria: Rua Aspicuelta, 145

Acervo Rosinha Landi | Vila do Céu
OPPA: Rua Aspicuelta, 153

Ponto Convergente | Coletiva Estúdio Madalena
Muro na Rua Aspicuelta, 138.

Fabs Grassi | Rainha da Bateria
Muro na Rua Patizal com Rua Girassol

Ricardo Hantzchel | Vende-se
Empório Sagarana: Rua Aspicuelta, 271

Coletivo de Terça | Flâneur
Restaurante RUAA: Rua Mourato Coelho, 1168 / abertura em 27/10, a partir das 19h.

Roberta Carvalho | Symbiosis
Projeção de imagens em árvore na Rua Harmonia, em frente ao número 126, onde será realizada a festa de abertura.

#MostraEuNoBeco | Projeto colaborativo
Marcenaria Café Madeira: Rua Harmonia, 38

Fotos: Rogério Assis (montagem das suas imagens dos Munduruku) e Divulgação (obra de Raquel Brust)

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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