A proteção da natureza para as presentes e futuras gerações

crianças andando em meio à natureza

No projeto Ser Criança é Natural (que também dá nome a este blog), queremos estimular as famílias a entrarem em contato direto com a natureza todos os dias, seja dentro de casa, nos espaços públicos das cidades como calçadas, praças e parques e, pelo menos uma vez por ano – é o que sugerimos  -, nos Parques Nacionais, Estaduais ou particulares.  Estas áreas são protegidas para preservar ecossistemas importantes, testemunhos da natureza com muito pouca interferência das ações humanas. São áreas selvagens e de extrema beleza. O senso estético é fundamental no desenvolvimento das crianças e forma a base de sua relação com o mundo no futuro. Esses Parques são chamados genericamente de Unidades de Conservação.

Visitar uma Unidade de Conservação significa também apoiar a proteção das espécies que ali vivem, pois fora delas a velocidade da devastação dos ecossistemas terrestres e marinhos é muito intensa. Desde o final do século 19, muitos esforços vêm sendo feitos no mundo todo para a proteger essas áreas dos avanços da indústria, da agricultura e das áreas urbanas. Apesar da proteção dos ecossistemas, a taxa de extinção de espécies ainda é altíssima e o índice que mede a vitalidade do planeta vem diminuindo. Tudo isso nos leva a entender o quão fundamental é a proteção dessas áreas dada a violência vindo no sentido contrário.

A questão que eu gostaria de levantar hoje, aqui no blog, é sobre a visão de mundo que sustenta o movimento de conservação da natureza nos Parques e Reservas. Para alguns, é preciso proteger a natureza dos seres humanos, pois acreditam que todos os seres humanos são inimigos diretos da natureza. E, por isso, organizam visitas nas Unidades de Conservação de forma que o contato direto com a natureza seja controlado e restrito. Recomendam a observação – o que é muito legal -, mas o contato direto é proibido.

Eu sinto que a ideia de que o ser humano, como essência, é inimigo da natureza, não é muito sustentável. Entendo a experiência humana como um processo de permanente aprendizagem. A humanidade está em permanente mudança. Cada pessoa, cada grupo social, cada cultura está em permanente transformação. Estamos sempre aprendendo. É o paradigma mecanicista ainda vigente que é destruidor, não a essência humana. Tanto é que as sociedades tradicionais – como os índios, os caiçaras, os quilombolas etc– vêm conservando suas práticas de transformação da paisagem, de produção de cultura há milênios e estão vivas até hoje, apesar da cultura dominante. Essa é a sua força. São sociedades resistentes, muito resistentes. E são elas as principais conservadoras das áreas naturais que hoje se quer proteger.

Acho importante nos aprofundarmos nesse assunto porque faz total diferença você ir com sua família visitar um Parque Nacional entendendo-se como inimigo da natureza em potencial, ou fazer o mesmo entendendo-se como seres em desenvolvimento que podem aprofundar a percepção que têm de si mesmos e do mundo ao se exporem à imprevisibilidade e aos encantos dos ambientes naturais (leia o artigo indicado no final deste post).

Assim como só se aprende a andar de bicicleta se arriscando em uma, a subir em árvores subindo e aprendendo a gerenciar o risco e a assumir a responsabilidade sobre si mesmo, acredito que é preciso se aproximar e, em alguns casos, tocar nos outros seres vivos. Isso tem um risco? Sim, tem, de se machucar ou machucar o outro. Mas se não correr esse risco, como saber? Como desenvolver um relacionamento com eles? Um relacionamento que não seja apenas mental, mas um relacionamento verdadeiro? Para isso é preciso experimentação, sensibilidade, delicadeza. Senão, como sentir empatia verdadeiramente?

Esta é uma questão polêmica, mas de extrema importância. Se algum leitor achar que ainda não estamos prontos para esse contato direto com as plantas e os animais, pelo menos eu espero que estejamos prontos para conversar sobre isso. Aguardo com otimismo seus comentários, para que a gente continue a conversar sobre esse assunto, tão frágil quanto essencial.

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Foto: domínio público/pixabay

Bióloga e socióloga, é autora dos livros “Como Cuidar da Natureza” e “Conservar e Criar”, sócia-diretora do Instituto Romã e consultora do projeto Criança e Natureza do Instituto Alana. Ministra cursos, vivências e palestras para aproximar as pessoas do ambiente natural. Acredita que a criança é a natureza se tornando humana e, por isso, precisa conviver com ela para seu desenvolvimento sadio e integral.

Rita Mendonça

Bióloga e socióloga, é autora dos livros “Como Cuidar da Natureza” e “Conservar e Criar”, sócia-diretora do Instituto Romã e consultora do projeto Criança e Natureza do Instituto Alana. Ministra cursos, vivências e palestras para aproximar as pessoas do ambiente natural. Acredita que a criança é a natureza se tornando humana e, por isso, precisa conviver com ela para seu desenvolvimento sadio e integral.

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