A potência dos negócios de impacto criados nas periferias

Já faz algum tempo que venho acompanhando com muito interesse o fortalecimento e a ampliação dos negócios de impacto nas periferias em São Paulo. No caminho das minhas incursões para ouvir histórias e ampliar minhas perspectivas de visão, topei com uma questão proposta por Jaison Pongialuppi, da Casa Ecoativa: dizem que as periferias crescem à margem das grandes cidades, mas pode ser o contrário; as cidades podem crescer às margens das periferias.

Uma coisa que parece clichê, assim como a associação pura e simplista das periferias à miséria, é dizer que nas periferias há potência, há criação. Mas eu não digo isso repetindo informação que vi estampada em algum lugar. Digo isso pelas histórias que ouvi, pelas ações e atividades que vi nessas andanças. Então, pra mim, potência é a palavra que aparece colada às periferias.

Tem muita gente das quebradas criando soluções para questões das suas próprias quebradas. E uso periferias e quebradas no plural porque o singular não expressa a realidade. Há muita diversidade e diferença para agrupar todas elas. Precisamos do plural.

Algumas pessoas que fazem isso na capital paulista, com as quais tive algum contato em diferentes ocasiões, são o próprio Jaison, o Tiago Vinícius, da Solano Trindade, a Adriana Barbosa, da Feira Preta, e o DJ Bola, d’A Banca.

Muitos programas de aceleração têm percebido essa potência e buscado dar espaço e contribuir. E a criação de uma aceleradora voltada especificamente a apoiar uma nova geração de empreendedores (as) da periferia, fortalecendo suas iniciativas e transformando essas pessoas em protagonistas no desenvolvimento de soluções sociais, ambientais e financeiras para o país, vem justamente fazer essa conexão entre problemas próprios das periferias e, correspondentemente, o fortalecimento de soluções criadas também pelas periferias.

A Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP) surgiu exatamente nesse compasso, sendo uma iniciativa da produtora A Banca, em parceria com a Artemisia e o Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas.

Nas duas primeiras edições de seu programa de aceleração, a ANIP acelerou as iniciativas Boutique de Krioula, Empreende Aí, Ecoativa, Jovens Hackers, Editora Selo do Povo, Bora lá. Bio Afetiva, Gastronomia Periférica, Nutrir-Si e Periferia em Movimento. Todas da zona sul de São Paulo, com grande número de mulheres à frente de seus processos. Em 2019, as iniciativas selecionadas foram Atuarquitetura, Clinfy, Enjoy Alimentação Orgânica, HOTD, Jaubra, Kitanda das Minas, LiteraRUA, Recifavela, Silvana Trucss e Meninos da Billings (cuja foto ilustra esta matéria). Me comprometo a apresentar essas iniciativas aqui no blog nos próximos meses.

“Mulheres e homens da periferia desenvolvem seus negócios de forma genuína num primeiro momento. Sendo potencializados, ganham maturidade para escalar de tal forma que geram desenvolvimento do seu entorno e dos seus iguais. Acreditamos na abundância de criatividade e lucratividade a partir do centro periférico”, avalia Fabiana Ivo, diretora pedagógica da A Banca.

Em 8 de agosto, a ANIP promove a segunda edição do Fórum Negócios de Impacto da Periferia. Momento importante para conhecer não só as potências, mas também os desafios e as particularidades de quem empreende das periferias para as periferias. As inscrições estão abertas.

Para saber mais sobre a ANIP, as iniciativas aceleradas e se inscrever no Fórum, clique aqui.

Foto: ANIP

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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