A paca no quintal

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Uma coisa aprendi com todos esses anos ao falar sobre natureza e vida selvagem: quanto mais falamos de coisas que estão próximas de nós, maior e mais efetivo é o alcance da mensagem. Já escrevi aqui, neste blog, sobre a minha vida perto da natureza e a importância que ele teve e continua tendo na minha formação enquanto fotógrafo e, principalmente, enquanto ser humano.

Nos últimos três anos, tenho dado um valor extra à essa proximidade. Desde que meu filho Benjamin chegou, consigo perceber claramente o impacto de seu contato com a natureza com a criança que ele é. Sentir na pele as mudanças das estações, acompanhar a florida das árvores, o preparo dos ninhos e o cuidado com os filhotes dos passarinhos, a chegada das chuvas e a mata ficando verdinha. Tudo isso fica mais claro quando esse contato é diário.

Uma das coisas que mais me tocou nesse processo foi constatar que, em casa, dividimos nosso quintal com pacas. A paca é um dos bichos mais caçados Brasil afora. Sempre escuto guardas florestais e monitores falando da busca dos caçadores por essa espécie. Perceber que esse bicho vive em segurança aqui perto e que se aproxima da nossa casa foi uma descoberta incrível.

E – claro! – como fotógrafo: desde a primeira vez que a vi fiquei com vontade de fazer uma foto legal do bicho. O primeiro encontro foi repentino e só deu mesmo pra ter certeza que ela estava por perto. Chegava de carro em casa de noitinha e lá estava ela no quintal. Por ser um bicho de hábitos noturnos, logo me veio a ideia de instalar uma das armadilhas fotográficas que uso em campo para alguns bichos mais tímidos.

Alguns dias depois da instalação da câmera… bingo! Lá estava aquele belo roedor pintado registrado no sensor da câmera. Passei a observá-la sempre que ouvia seu caminhar na mata próxima à varanda.

Mostrei o bichinho várias vezes para o Benjamin e até fizemos um combinado de “jogar a chupeta” pra paca. Ainda não funcionou – nem vai porque seria muito perigoso pra ela, claro! -, mas, pelo menos, a paca já ganhou mais um amigo entre os homo sapiens.

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Formado em jornalismo, o fotógrafo João Marcos Rosa se especializou em registrar temas ligados à vida selvagem e à conservação, trabalhos que o levaram a correr o mundo atrás de boas e fascinantes histórias. Colabora com as revistas National Geographic Brasil, BBC Wildlife, GEO e Terra Mater. Autor dos livros “Harpia” e “Fauna de Carajás”, vive em Nova Lima (MG) e é um dos sócios da agência Nitro Imagens.

João Marcos Rosa

Formado em jornalismo, o fotógrafo João Marcos Rosa se especializou em registrar temas ligados à vida selvagem e à conservação, trabalhos que o levaram a correr o mundo atrás de boas e fascinantes histórias. Colabora com as revistas National Geographic Brasil, BBC Wildlife, GEO e Terra Mater. Autor dos livros “Harpia” e “Fauna de Carajás”, vive em Nova Lima (MG) e é um dos sócios da agência Nitro Imagens.

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