A natureza pelo olhar dos fotógrafos premiados no World Press Photo 2018

A natureza pelo olhar dos fotógrafos premiados pelo World Press Photo 2018

Beleza, emoção, sofrimento, angústia. Estes são alguns dos sentimentos passados pelo trabalho dos fotógrafos ganhadores do World Press Photo 2018, na categoria Natureza.

A competição foi criada, em 1995, por um grupo de fotógrafos holandeses. Além do concurso, que atualmente é um dos mais prestigiados do mundo, a iniciativa internacional realiza uma série de outras atividades, como exposições, palestras e publicação de material educativo, para promover o poder do fotojornalismo, ou seja, a contação de histórias através de imagens.

Este ano, o 1º lugar da categoria Natureza – Singles ficou com o fotógrafo americano Corey Arnold. Ele registrou o momento em que um falcão se alimenta de restos de carne em uma lata de lixo de um supermercado, em uma cidade do Alaska. No passado, a ave estava ameaçada de extinção. Graças a esforços de conservação, conseguiu restabelecer o crescimento de sua população e hoje pode ser vista em todo o país.

Falcão no Alaska

Com a foto Pulo, o fotógrafo Thomas P. Peschak (também premiado na categoria Meio Ambiente) conseguiu o 2º lugar. O flagrante revela o salto sobre as pedras de diversos pinguins na ilha de Marion, no Oceano Índico. Devido à redução de alimentos, a espécie é classificada como vulnerável, já que o número de indivíduos tem diminuído muito ao longo das últimas décadas.

O salto dos pinguins levou o 2o lugar

A linda imagem, que abre este post, recebeu a 3ª colocação. Michael Patrick O’Neal fotografou um peixe-voador nadando, embaixo d’água, durante a noite. A espécie consegue bater sua cauda até 70 vezes por segundo e com isso, atinge uma velocidade submarina de quase 60 km/h. E mais. Ao inclinar-se para cima, sobe à superfície, enquanto ainda se impulsiona batendo rapidamente a cauda embaixo d’água, antes de voar e planar – escapando com sucesso de predadores como atum, marlim e peixe-espada.

Já na categoria Natureza – Histórias, o prêmio principal foi para a linda e emocionante fotorreportagem de Ami Vitale sobre os cuidadores de elefantes abandonados no Santuário Reteti, no Quênia. O local, que faz parte de um projeto do Namunyak Wildlife Conservation Trust, utiliza colaboradores da comunidade para cuidar do “orfanato de elefantes”. Antigamente, os moradores do vilarejo não estavam interessados em proteger os animais. Todavia, um novo relacionamento surgiu entre os quenianos e os elefantes.

Cuidado e amor com o filhote de elefante

O holandês Jasper Doest conquistou o 2º lugar ao contar a triste história dos “macacos da neve” das montanhas japonesas. Tidos no passado como animais sagrados, hoje eles estão acostumados com o convívio humano, devido à expansão das cidades rumo ao campo. Mesmo tendo um status de proteção no país desde 1947, leis regionais permitem que os macacos sejam treinados e utilizados em atrações de entretenimento. O resultado é um show de horrores e maus-tratos.

A mãe macaco protege seu filhote no frio do Japão

E o prêmio de 3º lugar foi para o já premiado fotógrafo alemão Thomas P. Peschak. Ele foi até Galápagos para revelar a extraordinária biodiversidade do local. Quatro grandes correntes oceânicas convergem no arquipélago, criando o ambiente ideal para diversos animais encontrarem refúgio nessas ilhas. São mais de 7 mil espécies de flora e fauna, das quais, 97% dos reptéis, 80% das aves terrestres, 50% dos insetos e 30% das plantas são endêmicas dali, ou seja, não existem em nenhum outro lugar do mundo.

O ecossistema de Galápagos é extremamente sensível à mudanças do clima. Cientistas acreditam que ele pode servir de termômetro e alerta sobre os efeitos do aquecimento global em outros hotspots de biodiversidade do planeta.


97% dos reptéis de Galápagos são endêmicos do arquipélago

Fotos: divulgação World Press Photo 2018

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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