A natureza amplia o mundo das crianças (com necessidades) especiais

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A relação com a natureza traz grandes benefícios ao desenvolvimento das crianças. Quando fazemos essa afirmação, estamos nos referindo a TODAS as crianças, independente do lugar onde vivem, de classe social, do seu desenvolvimento – se está dentro de um padrão ou apresenta alguma deficiência. Na verdade,  as crianças com deficiências e transtornos tendem a se beneficiar muito especialmente de uma relação direta com a natureza.

Quando visitou as escolas da floresta, uma das questões que Ana Carol (uma das autoras deste blog) tinha em mente era a respeito da inclusão de crianças com deficiência, pois, aqui no Brasil, essa é uma de suas atuações. E, antes de viajar, ela já acompanhava posts pelas redes sociais que mostravam essas situações nos ambientes naturais.

Em uma das escolas da floresta que visitou, havia um menino com autismo, que lhe chamou especial atenção. Ele era acompanhado de perto por um professor que permitia que ele brincasse com liberdade. Depois de observá-lo ao longo de um dia, Ana Carol percebeu o quanto a natureza o deixava calmo e permitia que ele se organizasse em suas brincadeiras e aprendizados.

Em uma conversa informal, o professor comentou que o garoto é uma das crianças que frequentam também uma escola tradicional – de dentro. Lá, na Inglaterra, existe um formato de educação que se chama flexschooling, que permite mesclar o ensino em uma escola tradicional com outras opções, também educacionais..

A escola do lado de dentro (na sala de aula) pediu para que a escola da floresta contasse, por meio de um relatório, sobre o perfil do menino e seu desenvolvimento. Ao lerem o relatório feito, os diretores da escola tradicional entraram em contato com a outra porque acreditavam que tinha havido um equívoco e que a equipe da escola da floresta estava se referindo a outra criança. Entre os argumentos levantados estava o fato de que a criança que eles conheciam era diferente: agitada e agressiva muitas vezes. A organização da escola da floresta, então, convidou a equipe da outra para acompanhar um dia de programações do lado de fora. A surpresa foi tão grande e positiva, que motivou uma grande alteração na programação da escola tradicional, que passou a privilegiar o tempo ao ar livre.

Kathy Ambrosini, diretora de educação no Mohonk Preserve, em Nova York, desde 2004 tem trabalhado para que crianças com necessidades especiais estejam do lado de fora em atividades em grupos com outras crianças. Mãe de uma criança com autismo, ela diz que, para os pais, é um pouco difícil sair da rotina e oferecer desafios para essas crianças por meio de experiências como essas, mas reconhece que elas são de extrema importância para a construção das relações sociais.

Para essas crianças com algum tipo de deficiência, o tempo no ambiente natural pode amenizar sintomas e ajudar a criar novas maneiras de se relacionar com o mundo, com os outros e consigo mesmo.

Cada criança tem seus desafios, suas habilidades, sua maneira de perceber o mundo. A natureza é o ambiente mais amplo de possibilidades para que elas possam desenvolver seu potencial nas relações, de forma plena. Junto com elas – a criança e a natureza – temos muito a aprender sobre quem somos e quem podemos ser.

Foto: Renata Stort

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto "Ser Criança é Natural" para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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