A Invasão do Brasil: um olhar poético sobre os povos indígenas, em exposição fotográfica

a-invasao-do-brasil-exposicao-renato-soares

Em 14 imagens deslumbrantes, o fotógrafo indigenista Renato Soares revela a cultura e a beleza dos povos de várias etnias na exposição A Invasão do Brasil, na biblioteca Alceu Amoroso Lima, em São Paulo, de 15 a 30 de abril. A mostra, que faz parte das celebrações pelo mês em que se celebra o dia dos índios (19), mas todos estão convidados para a abertura, amanhã, 14/4, às 19h, quando ele fará palestra e contará sobre seu projeto Ameríndios do Brasil, do qual esta iniciativa faz parte.

“O título da mostra é uma analogia aos 500 anos do Descobrimento, mas, desta vez, são os índios que ‘invadem’ os espaços públicos brasileiros, mas especificamente as bibliotecas de São Paulo”, conta o indigenista. “A ideia não é fazer grandes exposições em galerias, mas priorizar as áreas públicas, ir para as periferias. Queremos mostrar que existem personagens – que chamamos de índios –, que têm família como qualquer um de nós. Com esse trabalho, os índios ‘invadem’ os espaços públicos, mostrando o que têm de mais lúdico. Não é, portanto, uma invasão agressiva, mas uma invasão poética”.

O projeto da exposição, que tem o apoio da Prefeitura de São Paulo, começa na biblioteca Alceu Amoroso Lima, mas contempla a utilização não só de bibliotecas, mas também de parque urbanos, praças e espaços públicos (a programação ainda não está definida), com o intuito de disseminar a cultura ancestral dos povos indígenas, que aqui viviam antes da chegada de Cabral. É como se os índios iniciassem uma retomada pacífica (e artística) de seu território.

As fotos revelam a riquíssima diversidade cultural e étnica desses povos. Lá estão a dança do Toré dos Pankararu, as flautas Uruá do Alto Xingu, os cantos no pátio circular das aldeias Krahô, a conversa em torno da fogueira e os rituais fúnebres dos Bororo Orientais e os ritos femininos das Yamurikumã, entre outras riquezas.

Ameríndios do Brasil, resgate da alma do povo brasileiro

Foi nos anos 80 que o fotógrafo indigenista Renato Soares descobriu sua paixão pelos índios. E, depois de muito viajar para tribos e conhecer mais a sua cultura – sentindo-se sempre muito à vontade na companhia de quaisquer etnias -, decidiu dedicar-se ao registro de seu cotidiano para torna-lo mais próximo do público, como também chamar a atenção deste para sua importância e fragilidade diante da voracidade da nossas civilização. Criou, então, o projeto Ameríndios do Brasil, que “resgata, por meio da imagem, esse personagem que se encontra enraizado em nossa alma, seus rituais que atravessaram o tempo e suas histórias que nos levam a um mundo, por vezes, ainda muito desconhecido”, ressalta ele.

O projeto prevê o registro fotográfico das 305 etnias brasileiras – são 270 línguas diferentes! – em todo o Brasil. “É o trabalho de uma vida inteira”, destaca o fotógrafo e documentarista que já chegou a passar um ano imerso na cultura de algumas tribos, e hoje mergulha em sua cultura por três a quatro meses, longe da família e de São Paulo, onde vive.

Também faz parte de sua missão com os índios conscientizar os brasileiros sobre a importância de protegê-los e preservá-los e nunca explorá-los. Por isso, ele respeita seu direito de uso de imagem. Assim, 30% do valor de tudo que comercializa – relacionado aos índios – é deles. “É uma forma de reconhecer seus direitos e fazer com que a fotografia tenha valor agregado. Dessa forma, ela ganha atuação social já que ajuda as comunidades”, finaliza.

Anote:
A Invasão do Brasil, de Renato Soares
Data: 15 a 30/4/2016 – Grátis
Horário: 2a. a 6a., das 10h às 19h / Sábados, das 9h às 16h.
Local: Biblioteca Alceu Amoroso Lima – Avenida Henrique Schaumann, 777, São Paulo/SP.

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

3 comentários em “A Invasão do Brasil: um olhar poético sobre os povos indígenas, em exposição fotográfica

  • Pingback:A Invasão do Brasil | Um canceriano sem lar.

  • 26 de abril de 2016 em 4:27 PM
    Permalink

    Aos Irmãos Indígenas
    Gostaria de deixar uma mensagem a todos os nossos irmãos indígenas, em homenagem ao Dia de Luta Indígena (19/04):
    Preservem sua espiritualidade ancestral, original, imaculada! Preservem-se contra o cristianismo, seja ele católico ou evangélico! Defendam-se contra essa tirania do espírito cristão! Não permitam que suas crianças sejam contaminadas por padres, pastores e missionários cristãos! Sejam puros, como vocês sempre foram. Ensinem aos seus filhos e netos a espiritualidade pura e natural de seus pais e de seus antepassados. Não permitam que o homem branco contamine o último reduto que vocês podem manter, que é o espaço sagrado de suas almas, dentre todos os combates que vocês travam por seus direitos. Meus irmãos indígenas, a quem aprendi a respeitar e valorizar, por conta própria, e não por causa da mentalidade perversa que a sociedade branca trata de diminuir vocês: sejam sempre livres, de corpo, de mente e de espírito! O homem branco, cristão e capitalista, já destruiu muito e continua destruindo, suas terras, suas culturas, seus nomes, seu passado. Não permitam que destruam, nunca, seu espírito de dignidade, seu espírito guerreiro, seu espírito de amor à Verdade, à Mãe Natureza e ao Espírito Supremo! É o grande pedido que faço a vocês, que considero o mais importante: não se rendam nem se vendam ao cristianismo, não deixem que essa corrupção da alma afete vocês. Sejam livres, sejam fortes, sejam vocês mesmos, para sempre! Muito obrigado! Max Müller Cerqueira Sobrinho

    Resposta

Deixe uma resposta