A história da abelha que faz cacho pra inspirar o bolo de mel

A história da abelha que faz cacho pra inspirar o bolo de mel

Com uns quatro anos, já na escola, o menino via outras mães buscando os amigos.

E perguntou pra mãe dele:

– Por que você não tem cabelo lisinho que nem as outras mães?
– Mas eu tinha. Tinha lisinho, lisinho, que não parava nem um grampinho, nenhuma ramona, como no meu tempo se dizia.
– E por que agora é enroladinho?
– Foram as abelhas que fizeram isso.
– Abelhas?
– É. Vou te contar.

Aconteceu quando eu tinha uns 13 anos. Foi numa tarde bem quente, num sol forte de queimar. Eu tava indo pra aula de piano e era uma caminhada longa da minha casa até a praça, onde ficavam piano e professora.

Então era uma tarde quente, num asfalto quente, que tinha acabado de ser esparramado na cidade, numa rua sem nenhum barulho, nem carro. Só eu cantarolava e caminhava devagar, com calor e com tempo.

De repente, um punhado de abelhas moradoras de um transformador de energia, que ficava no alto de um poste,  vieram na minha direção e invadiram meu cabelo. Fizeram uma confusão sem tamanho. Foi tanto mexerico, tanto baile, tanto zunido, que eu até fiquei tonta.

Engraçado, não fiquei assustada. Fiquei, com calma, puxando uma abelhinha do meu cabelo de cada vez. Mas eram muitas e elas são muito dedicadas quando têm uma missão, como você sabe.

Quando não fazem mel, fazem zum pra cima, zum pra baixo, zum pra um lado, zum pro outro. Tiveram a manha de tecer cachos, emaranhados, ondulados. Uma confusão quase artística mesmo.

Fui caminhando e tirando cada abelhinha, uma a uma.  Só via todas elas voando barulhentas de volta pra casinha no poste. Quando cheguei na aula de piano, estava com outro penteado. Cacho, nó, onda, tudo. Menos os fios lisinhos com os quais eu saí de casa. A professora me olhou e quase não reconheceu.

– Nossa, você tá diferente, tá engraçada. E tá com cheiro de mel. 

– E foi assim que eu fiquei assim.
– Nossa, que legal, mãe!

A história das abelhas fazendo cachos durou muito tempo na cabeça do menino. Ele a contou e a recontou pra explicar o cabelo cacheadinho da mãe. Até que ele crescesse. E descobrisse que era uma história inventada.

Mas, agora é sério.  Sabia que a abelha arapuá também é chamada de “torce cabelo”?

RECEITA DE BOLO DE MEL

Em homenagem às abelhas, essas lindezas que fazem cacho na cabeça da gente e que precisam continuar fazendo mel pra nossa vida

INGREDIENTES DA MASSA

4 ovos
2 xícaras de mel
3 1/2 xícaras de farinha de trigo
1/2 colher de fermento em pó
1 pitada de sal
1 copo de óleo
dente de cravo, canela em pó, uva passa, noz pecã, macadâmia (tudo a gosto)

INGREDIENTES DA COBERTURA

1/2 xícara de açúcar mascavo
3 colheres de manteiga sem sal
2 colheres de mel
3 colheres de leite

MODO DE PREPARO

Bata no liquidificador os ovos, o óleo e o mel, escorrido delicadamente.

Peneire a farinha, o fermento e o sal. Aos poucos, vá acrescentando a mistura líquida aos ingredientes secos.

Adicione os demais temperinhos.

Coloque a massa  em uma forma redonda com furo no meio, untada com manteiga, e polvilhada com farinha de trigo. Asse em forno a 180 graus por 45 minutos (ou até sentir cheirinho de bolo assado). Espete um palito ou uma faca pra conferir. Se sair limpo, tá pronto.

Retire do forno. Espere alguns minutos pra desenformar.

Agora é hora de fazer a cobertura. Junte todos ingredientes, leve ao fogo e ferva durante 3 minutinhos.

Cubra o bolo ainda quente.

E viva as abelhas vivas!!

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Foto: wikimedia commons

Cássia Miguel

Mulher de marido, mãe de filho, madrasta de enteados. Começou a carreira profissional vendendo pinga e pão com mortadela na venda dos pais, em Minas. Foi bancária, revisora de jornal, rádio escuta, repórter, editora e apresentadora de TV. Hoje é especializada em media training, com foco para entrevistas em TV e vídeo. Fez jornalismo na PUCCAMP, pós graduação em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas na USP e Análise do Discurso na PUC SP. Tudo isto sem tirar o pé da cozinha

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