A fotografia e a música

Andei sumido dentro de mim. Andei pensando os motivos que me levaram a me tornar fotógrafo e os propósitos de minha vida, tanto profissional quanto pessoal. Quais os caminhos que me trouxeram até aqui? E parei para refletir se tudo isto valeu a pena e quais os próximos passos a tomar.

Lembro do cheiro e do gosto das primeiras imagens, lembro da música que ouvia ao me encontrar com a fotografia e o quanto ela se mostrou poderosa como uma arma transformadora. E percebi que isto poderia ser últil aos meus ideais.

Sim! Eu era um idealista convicto de que poderia mudar o mundo. E, de certa forma, consegui moldar um pouco do meu mundo. O que para muitos pode ser pouco, mas este pouco, reconheço, é o que importa.

No mundo atual, me sinto entristecido por não poder provocar mudanças reais no comportamento das pessoas. Mas isto seria muita pretensão minha – mudar o mundo -, pois percebi que o que temos mesmo de mudar somos nós mesmos. E a fotografia me ajudou a melhorar como pessoa.

Costumo dizer que retratar o outro é respeitar o momento de cada um sem roubar-lhe os segredos da alma. Em um dos primeiros posts, aqui, falei sobre isso.

Ao respeitar o outro respeitamos a nós mesmos na busca do que chamamos de felicidade. A minha felicidade é que, um dia, quando eu mostrar uma fotografia, todos ouçam música…

Abaixo, uma seleção de imagens que tenho feito em minhas andanças pelo Brasil. Nelas estão os indígenas, que são a razão do meu projeto Ameríndios do Brasil, que dá nome a este blog. Mas também flashs da festa do Círio de Nazaré, a celebração de Marabaixo no Quilombo do Curiaú, em Macapá, e Recife vista de cima, à noite, numa homenagem a Jackson Polock… Para abrir este post, escolhi o Yamurikumã, ritual das mulheres guerreiras do Xingu, feita no ano passado na aldeia Kalapalo.

Se deixe guiar pelas fotografias. E, se ouvir música, comente, aqui mesmo, no post. Vou gostar de saber.

 

Círio de Nazaré, 2011
Círio de Nazaré, 2011
Dança do Marabaixo, na Comunidade Quilombola do Curiaú, no Macapá/AP, em 2012
Indígena Kadiwéu da Aldeia Alves de Barros, no Mato Grosso do Sul
Ritual funerário dos indígenas Bororo
No interior da oca, o movimento Jawari, na aldeia Kalapalo, no Xingu, em 2016
Metora, a dança das mulheres Kaiapó., no Pará, em 2016
A cidade do Recife à noite, numa homenagem ao pintor Jackson Polock

 

Fotógrafo e documentarista especializado no registro de povos indígenas, bem como da arte, cultura e biodiversidade do país. Mineiro, desde 1986 realiza viagens para retratar formas de expressão cultural dos grupos étnicos brasileiros. Colaborador do blog Por Trás das Câmeras, Renato descreve o que chama de “Diário de Campo”. É autor ainda do blog Ameríndios do Brasil, mesmo nome do seu projeto de fotografia com os índios

Renato Soares

Fotógrafo e documentarista especializado no registro de povos indígenas, bem como da arte, cultura e biodiversidade do país. Mineiro, desde 1986 realiza viagens para retratar formas de expressão cultural dos grupos étnicos brasileiros. Colaborador do blog Por Trás das Câmeras, Renato descreve o que chama de "Diário de Campo". É autor ainda do blog Ameríndios do Brasil, mesmo nome do seu projeto de fotografia com os índios

Deixe uma resposta