A floresta é um organismo vivo

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Vira e mexe, me pego pensando que a Amazônia (assim como outros ecossistemas do mundo) é um organismo vivo. Isso não é uma viagem da minha cabeça. De fato, faz sentido. Por isso, primeiro, compartilho minhas reflexões. E, depois, o que a ciência diz.

A floresta é um todo. Chamamos de floresta tudo o que está dentro dela: insetos, mamíferos, plantas, peixes, rios, árvores e mais árvores, povos tradicionais. A união, o casamento, a dança entre todos os seres que compõem este pedaço da Terra chamado Amazônia é o que possibilita e determina sua existência. Estes seres se beneficiam de fatores externos também, como a umidade do Oceano Atlântico, por exemplo, tão importante para a formação dos Rios Voadores, que geram chuva para a floresta, mas também para o infinito e o além.

Fazendo uma breve comparação com o corpo humano, o que são nossos corpos? Como funcionam? Bem, só existimos porque dentro de nós existem muitos outros seres vivos. Thomas D. Luckey publicou, em 1972, um artigo na revista científica The American Journal of Clinical Nutrition, no qual afirmou que uma pessoa adulta tem APENAS 100 trilhões de bactérias no sistema digestivo. Sobre a pele, coloque aí mais um trilhão. Além disso, cerca de 40 trilhões de micróbios habitam o corpo humano. Seríamos nós, com nossos corpos, a “Amazônia” dessas bactérias e micróbios?

Ninguém aqui discorda que nossos corpos, enquanto “todo” – ou seja, o corpo da Karina, o corpo da Mônica, o do Mateus, o seu corpo – sejam organismos. Então, por que a Amazônia também não seria um organismo? Por que a própria Terra não seria? Observando em escala, nós aqui, humanidade, somos os micróbios, as células do corpo da Terra. Entende o que estou falando? Estas são minhas reflexões, mas felizmente conto com o apoio da ciência holística, ou seja, mente aberta e não dogmática.

Organismos têm a capacidade de se auto-regular. Você pede ao seu coração para bater? Não. Você diz quando seus olhos têm que piscar? Quando seu estômago tem que funcionar? Como seu sangue deve fluir? Não e não. Nossos corpos são tão inteligentes que sabem como se virar para manter a vida acontecendo.

O mesmo ocorre com o planeta Terra. Durante 300 milhões de anos, conforme a Teoria de Gaia, de James Lovelock, o planeta manteve estável o nível de oxigênio para que seres vivos pudessem existir por aqui. Outro exemplo bonito de auto-regulação é que o dióxido de carbono e a temperatura do planeta variaram juntos pelos últimos 700 mil anos, graças ao longo ciclo do carbono na natureza.

E a Amazônia, também se auto-regula, como um bom organismo? Sim! Já nos explicou Antonio Nobre no maravilhoso estudo O Futuro Climático da Amazônia, que suas plantas evaporam gases que, uma vez em contato com a atmosfera úmida e com a radiação solar, são capazes de provocar chuva sobre a floresta.

Outro exemplo: quando a temperatura ultrapassa os 25 graus, o solo precisa se manter úmido. Para gerar nuvens e provocar chuvas, as árvores têm mecanismos capazes de acelerar a evaporação. Fora o solo, que é pobre em nutrientes, mas só possibilita a existência da floresta porque se nutre com folhagens que caem no chão, combinadas com a água das chuvas.

Esses são apenas alguns exemplos do que eu, você, o planeta Terra e a Amazônia fazemos, com nossos organismos, para nos mantermos vivos.

Eu, Karina Miotto, tenho um corpo.
Você tem um corpo.
A Terra tem um corpo.
A Amazônia tem um corpo.

Estou viva.
Você também.
A Terra também.
A Amazônia também.

Agora, assista ao vídeo que gravei para falar da vida, da Amazônia.

Foto: Jack Tacker / Unplash

Karina Miotto

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

Um comentário em “A floresta é um organismo vivo

  • 10 de outubro de 2016 em 8:46 PM
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    não foi possível ver o vídeo, pois está como “privado”.

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