A cada peça comprada na Mumo, parte do dinheiro vai para o tratamento de aves silvestres brasileiras

A cada peça comprada na Mumo, parte do dinheiro vai para o tratamento de aves silvestres brasileiras

Apesar de seu luxo e glamour, o mercado da moda é um dos mais insustentáveis e poluentes que existe. O setor movimenta anualmente cerca de 2,4 trilhões de dólares no mundo. Se o valor gerado pela indústria fashion fosse comparado ao PIB – produto interno bruto – de um país, ela seria a 7ª maior economia do planeta.

E com tanto dinheiro, qual o papel social que as marcas têm prestado à sociedade? A boa notícia é que muitas delas estão fazendo sua parte.

Um exemplo muito bacana é o da paulistana Mumo. A marca foi criada, em agosto de 2017, pelo publicitário Rodrigo Tozzi, a economista Renata Stern e a estilista Luana Goldstein.

Além de trabalhar com tecidos sustentáveis, como algodão orgânico e malha produzida com 50% de garrafas PET recicladas, atualmente, para cada peça vendida pela Mumo, R$ 5,00 são doados para a Associação Mata Ciliar (AMC).

Segundo a marca, com esse valor, é possível preparar nove refeições para aves silvestres em reabilitação.

“Qual o sentido em criar impérios e deixar o mundo pior? A humanidade precisa de empresas que pensem além do lucro, além da própria existência. Preservar nosso planeta e o que está contido nele deveria ser a métrica mais importante de toda e qualquer corporação”, diz Tozzi, CEO da Mumo. “Queremos incentivar, cada vez mais pessoas e empresas a aderirem a uma mudança, uma tomada consciência para preservação do nosso ecossistema.”

Por que aves?

O Brasil é um dos países onde há um número muito grande de espécies de aves de rapinas. Águias, gaviões, falcões e corujas são animais carnívoros, com visão e audição aguçados para a caça, além do bico curvo e de garras afiadas.

Mensalmente, 40 aves de rapina chegam à Associação Mata Ciliar, em Jundiaí, no interior paulista, para serem tratadas. Elas são vítimas de atropelamento, ficam presas em linhas de pipa com cortante ou até mesmo, apedrejadas ou feridas com armas de fogo. Assim como outros animais silvestres, os pássaros se tornam presas fáceis por terem cada vez mais seu habitat natural devastado.

Cada peça vendida da Mumo ajuda no tratamento de uma ave silvestre

Após passarem por reabilitação, a maioria das aves é devolvida à vida selvagem. Infelizmente, algumas delas não apresentam condições de serem reintroduzidas na natureza, por isso, permanecem vivendo em cativeiro.

No ano passado, a Mumo já tinha uma parceria com a Mata Ciliar. Na época, o compromisso era de, a cada peça vendida, a empresa financiar o plantio de uma árvore nativa, com o objetivo de recuperar três nascentes ao longo da bacia do rio Jaguari. Ao longo do último ano, a iniciativa foi responsável pelo plantio de mais de 1 mil mudas, em uma área de 10 mil m2.

Moda consciente

Em seu relatório de impacto ambiental, a Mumo descreve como suas ações estão alinhadas com um papel mais responsável para o setor da moda. Ao optar por utilizar algodão orgânico, por exemplo, a marca garantiu que 1 kg de agrotóxicos deixassem de ser utilizados na lavoura, o que poderia contaminar 1 milhão de litros de água em rios, nascentes e lagos.

Outro ponto bacana? Com o uso da malha confeccionada com plástico reciclado – 25% das peças foram produzidas com ela – 2.557 garrafas PET não foram jogadas em lixões, aterros sanitários ou ainda pior, nos oceanos.

Jovem e sustentável: a moda feita pela marca paulistana

“Precisamos compreender que nós fazemos o mundo. Somos responsáveis por tudo. Buscar o resgate da liberdade de ser e criar. Ser lúdicos, comover e engajar. Transmitir um novo sentido à vida humana. Precisamos nos ver como parte do todo e despertar a consciência coletiva”, destaca Luana.

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Fotos: divulgação Mumo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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