A beleza do inesperado

a beleza do inesperado

Ao longo de mais de três décadas, vou com certa regularidade à Baía de Guaraqueçaba, no litoral do Paraná. Sempre fico deslumbrado com a beleza e a natureza da região, mas este dia foi especial.

Como fotógrafo, desta vez fiz parte da equipe de contagem do papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) na Ilha do Pinheiro, no Parque Nacional do Superagui, ao norte do litoral paranaense.

Há muitos anos já acompanho o trabalho de pesquisa e conservação desta espécie, desenvolvido pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e coordenado pela bióloga Elenise Sipinski.

É um projeto focado na conservação deste papagaio. Porém, leva em conta as questões culturais locais. A maneira eficiente como o trabalho é realizado está tirando a espécie do risco de extinção e melhorando a compreensão da população local sobre a necessidade de conservação e os benefícios que traz para os pescadores e moradores da região.

A contagem é apenas uma pequena parte do projeto e acontece uma vez por ano. Ela é feita por várias equipes, posicionadas em pontos estratégicos na área de ocorrência da espécie, que durante dois dias, contam os papagaios que sobrevoam cada local demarcado. No final, os dados são analisados e comparados com outros anos para que se possa ter uma estimativa do status da população, o que irá auxiliar nas estratégias de conservação.

A fotografia tem um papel importante na educação ambiental e contra o tráfico, que é a principal causa da ameaça desta espécie e de outras tantas.

Cheguei na ilha das Peças no dia anterior à contagem, junto com uma das equipes envolvidas no trabalho.

Acordamos de madrugada para navegar até a Ilha do Pinheirinho, um dos pontos de contagem. Para a nossa surpresa, havia um forte nevoeiro e era muito arriscado sairmos sem visibilidade. Aguardamos um bom tempo e quando o nevoeiro começou a ficar menos denso, saímos rumo ao ponto de contagem.

Chegando lá, o nevoeiro começava a levantar, mas ainda não dava para ver o céu. O sol já havia nascido e a lua aparecia ao fundo, cada vez mais fraca.

De repente, percebi um canoeiro que saiu para jogar sua rede de espera. Vi que estava indo em direção ao reflexo da lua. Preparei meu equipamento e quando ele passou pelo reflexo, tirei várias fotografias.

Foi uma cena muito impressionante. Uma luz fraca do sol nascendo e a lua se pondo, fraca por trás do nevoeiro. Ainda hoje, lembro do som do remo dele na água, a sensação que senti foi muito emocionante.

A fotografia proporciona vivências incríveis na nossa vida, mas temos que estar preparados para elas (equipamento utilizado foi Nikon D800 – ISO: 800 – Lente 70-200mm f:2.8 – Tempo 1/60s – Abertura 2.8).

*Quem quiser saber mais sobre o projeto Papagaio-da-cara-roxa pode acessar este site.

Foto: Zig Koch

Fotógrafo profissional com ênfase em imagens de natureza, turismo e viagens. Autor de 14 livros e 25 exposições individuais, sendo quatro internacionais. Percorreu todos os biomas brasileiros, viajou para vários países de outros continentes, fotografando para revistas, ONGs e empresas.

Zig Koch

Fotógrafo profissional com ênfase em imagens de natureza, turismo e viagens. Autor de 14 livros e 25 exposições individuais, sendo quatro internacionais. Percorreu todos os biomas brasileiros, viajou para vários países de outros continentes, fotografando para revistas, ONGs e empresas.

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