536 mulheres são agredidas, por hora, no Brasil

536 mulheres são agredidas, por hora,  no Brasil

Dezesseis milhões de brasileiras, com 16 anos ou mais, sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses. 76,4% delas afirmaram que o agressor era alguém conhecido. E o mais alarmante? 42% contaram que foram agredidas dentro de casa.

Os dados chocantes são da segunda edição da pesquisa Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil, elaborada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto Datafolha. Foram entrevistadas 1.097 mulheres, em 130 municípios do país.

Os números revelam uma realidade que prova como a violência contra a mulher ainda está longe de ser debelada.

Entre os fatos que mais preocupam são como o Estado ainda não consegue proteger as brasileiras que sofrem agressão e, talvez o pior de tudo, como elas ainda se mantem caladas perante esta situação. Seja por vergonha ou por medo de sofrerem mais, ou ainda, da quase que certa impunidade de seus agressores.

Das mulheres que foram vítimas de violência, 52% disseram que não fizeram nada e apenas 10,3% procuraram uma delegacia especializada.

“A permanência destes elevados índices revela que as leis, por si só, não têm o poder de transformar a realidade. Leis são importantes instrumentos para prevenção, conscientização e repressão, mas devem ser implementadas para que tenham efetividade”, afirmam os autores do estudo.

Outro dado que chama a atenção é que mulheres negras apresentam maior nível de vitimazação (40,5%) do que pardas (36,7%) e brancas (34,9%).

“Para se prevenir a violência é necessário haver conscientização e a conscientização está diretamente relacionada à informação. Embora a violência aconteça em todas as classes sociais, quanto mais educação formal, menos violência. Um reflexo disso é o reconhecimento das violências tidas por “invisíveis”, diz a pesquisa.

Segundo os pesquisadores, lesões com marcas são facilmente percebidas como violência, o que não acontece com outras formas dela, como a psicológica, moral ou mesmo a importunação sexual (conhecida como “assédio”).

Nas últimas semanas, o noticiário do país esteve repleto de casos de feminicídio (o assassinato de mulheres). Ontem mesmo (27/02), um homem, no Paraná, matou a ex-companheira com um botijão na cabeça. A brutalidade chocante causa ainda mais revolta quando se descobre que havia um mandato para que o homem mantivesse distância dela, mas que foi revogado há poucas semanas por um juiz.

Outra mulher, em Campinas (SP), foi assassinada nas mesmas circunstâncias. Depois de denunciar o ex-marido por diversas vezes, ele colocou fogo na loja onde ela trabalhava.

Também estarrecedor foi o caso, que repercutiu em todas as redes sociais nas últimas semanas, da paisagista carioca Elaine Caparroz, agredida durante quatro horas por um homem em seu apartamento, no Rio de Janeiro.

A impressão que se tem é que esses homens, ou melhor, criminosos, têm certeza de sua impunidade. Até quando? Quantas vidas mais serão perdidas diariamente para que algo mude em nosso país?

Imagens: domínio público/pixabay (abertura) e demais divulgação

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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