5 mil ciclistas fazem emocionante mobilização na Costa Rica

Quando ouço falar da Costa Rica, a primeira imagem que vem à minha mente é de suas reservas florestais. O país é muito (re) conhecido por suas belezas naturais e, até o ano passado, também por ter uma representante liderando as conferências de mudanças climáticas da ONU, Christiana Figueres. Mas, esta semana, a notícia que colocou o país em destaque não foi ambiental, mas sobre uma tragédia.

No final do mês de janeiro, um carro em alta velocidade atropelou quatro ciclistas numa pequena cidade da Costa Rica. Apenas um está em recuperação no hospital; os outros morreram. Dez horas depois do atropelamento, o motorista de32 anos se entregou. Está impedido de deixar o país e de dirigir e é obrigado a assinar um termo de compromisso a cada 15 dias em um escritório judicial.

Pra mim, é pouco! Deveria receber aulas intensas sobre leis do trânsito e a importância do ciclismo para a mobilidade nas grandes cidades e o convívio em sociedade. Deveria ser obrigado a fazer trabalho social e também a se envolver em ações do governo relacionadas ao tema…

Mas o mais bacana dessa história foi a mobilização emocionante – durou quatro horas – que uniu cerca de 5 mil ciclistas costariquenhos. Eles se organizaram para homenagear as vítimas, apoiar o sobrevivente e protestar contra a conduta dos motoristas de veículos na cidade de Curridabat e nas estradas. Além de reivindicar melhores condições para a circulação dos adeptos da bicicleta na cidade.

Todos se encontraram no Parque Metropolitano La Sabana, em São José, capital da Costa Rica, para formar uma caravana gigante em direção à Curridabat. No vídeo publicado pelo jornal La Nacion, é possível ver a emoção desse belo encontro.

O destino: o Guardia Hospital Calderon, onde está hospitalizado Duran Mata Lucia, que sobreviveu à tragédia. Lá, encontraram outros ciclistas e pedestres que os esperavam. Foi uma linda surpresa.

Para saudar as vítimas do acidente em Curridabat, os participantes da manifestação carinhosa e muito alegre, exibiram cartazes e gritaram palavras de apoio à Duran, seus familiares e também aos familiares dos ciclistas mortos. Um dos organizadores do encontro, Carlos Jimenez Barrantes, disse ao jornal La Nacion que eram esperadas cerca de 3 mil pessoas, mas os participantes foram muito além. Entre eles, estavam dezenas de famílias com ciclistas de todas as idades.

Belíssimo encontro! Não há nada mais humano do que a união por uma boa causa. E o que nos torna ainda mais cidadãos é reivindicar tudo que possa garantir mais humanidade para todos, sem distinção. Se for junto, melhor ainda porque o impacto é outro. Em alguns países, isso é mais intenso. Aqui, ainda estamos aprendendo. Sobre o respeito aos ciclistas, mais ainda. Mas sempre é tempo. E este é um ótimo exemplo que não precisa ser seguido apenas quando acontecem tragédias. A alegria e o bom humor podem ser o norte, como a Pedalada Pelada, que acontece anualmente em alguns países.

Um viva aos ciclistas de todos os lugares do mundo! Além de seres mais saudáveis e felizes, ajudam o mundo a despoluir e a reduzir emissões de gases de efeito estufa. Mas esta é uma outra conversa. Abaixo, o resultado visual do encontro na capital costariquenha.

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Fotos: Reprodução/Vídeo

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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