40 mil filhotes de pinguins morrem de fome na Antártica

40 mil filhotes de pinguins morrem de fome na Antártica

Pesquisadores franceses se depararam com uma cena trágica na região leste do continente antártico: milhares de filhotes de pinguins mortos. Mais precisamente, 40 mil deles. Da colônia de 18 mil casais de pinguins-de-adélia (Pygoscelis adeliae), somente dois filhotes sobreviveram.

A tragédia, registrada pelos pesquisadores da base Dumont D’Urville aconteceu no começo do ano, na chamada Terre Adélie, mas só foi divulgada agora. Segundo os cientistas, foram encontrados muitos ovos que não haviam sido chocados e filhotes mortos, provavelmente, por falta de alimentos.

A explicação mais plausível para a morte em massa dos pinguins é o aumento da camada de gelo da Antártica em Terre Adélie durante os meses de verão. Com isso, as aves precisaram percorrer uma distância muito maior, em torno de 100 km a mais -, para conseguir alimentos para seus filhotes e acabam não voltando a tempo. Além disso, o verão antártico este ano foi mais quente e chuvoso do que o normal. E os pinguins recém-nascidos ainda não possuem uma proteção adequada contra a água, ficando mais vulneráveis neste clima.

Outra possível razão para a tragédia é o impacto do deslocamento de parte do glaciar Mertz, em 2010. Apesar de já ter ocorrido há sete anos, o imenso bloco de 80 km de comprimento e 40 km de largura se rompeu perto de Adélie, provocando mudanças nas correntes oceânicas e formação de gelo de todas a região.

Esta não é a primeira vez que algo assim acontece. Em 2013, milhares de filhotes também foram achados sem vida pela equipe da base francesa.

Os pesquisadores não descartam, entretanto, que a instabilidade climática seja causada pelo aquecimento da Terra. Ao contrário do Ártico, onde os índices de degelo tem crescido, na Antártica ocorre o contrário. É possível que isto aconteça devido ao aumento do nível do mar. Especialistas afirmam, entretanto, que o gelo antártico deve retroceder nas próximas décadas.

A morte dos milhares de filhotes de pinguins-de-adélia torna ainda mais urgente a criação de uma área de proteção marinha no leste da Antártica. França e Austrália são os países que têm defendido a preservação deste ecossistema, a fim de que não seja permitida a exploração pesqueira nas águas do sul do planeta.

Pinguim-de-adélia

Nos últimos 30 anos, a população de pinguins-de-adélia diminuiu em 65%, calcula a organização WWF. A espécie, que habita a Antártica e diversas ilhas costeiras do continente gelado, se alimenta de animais pequenos, como krills, mas também de peixes e lulas.

Os meses de reprodução deste pinguim vão de outubro até fevereiro, e fêmea e o macho se revezam para cuidar dos ovos, geralmente dois por ninho. Em abril, quando o degelo começa na região, as aves saem em busca de alimentos.

Estes animais vivem em colônias e podem chegar até aos 20 anos de idade.

Foto: divulgação Y Ropert-Coudert/CNRS/IPEV e Jonathan E. Shaw/Creative Commons/Flickr (foto final) 

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

2 comentários em “40 mil filhotes de pinguins morrem de fome na Antártica

  • 14 de outubro de 2017 em 7:12 PM
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    Olá Suzana, interessante a informação. Apenas uma pequena correção, em abril na Antártica é início do outono e não da primavera como mencionado no final do texto.
    Abraços

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    • 15 de outubro de 2017 em 7:12 AM
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      Rê,
      Você tem toda razão! Já está corrigido no post.
      Obrigada pela mensagem.
      Abraço,
      Suzana

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