333 baleias foram mortas pelos japoneses em caça com ‘objetivos científicos’

Mesmo sob tantos protestos de ambientalistas, de ONGs, do ministro australiano do meio ambiente da Austrália, Greg Hunt, e da Corte Internacional de Justiça, além de uma petição online, nada conseguiu impedir que, na sexta (31/3), uma frota japonesa matasse 333 baleias minke no oceano Antártico. Motivo, segundo a Agência de Pesca: campanha com objetivos científicos.

A instituição define a ação como “missão de pesquisa para estudar o sistema ecológico no Oceano Antártico”, mas todos que se opõem a essa prática anual e a Corte Internacional de Justiça (CJI) alegam interesses comerciais. Na verdade, o Japão não esconde a carne resultante desse tal “programa científico”: tempos depois, ela vai parar nas prateleiras do supermercado e no prato de apreciadores, e – pasme! – no cardápio de algumas escolas. E isso, sem disfarce.

Em comunicado distribuído à imprensa, Kitty Block, vice-presidente da Humane Society International, disse que “cada ano que o Japão executa sua desacreditada caça científica de baleias é mais um em que estes animais magníficos são sacrificados sem necessidade”. Mesmo assim, ela continua otimista: “esta crueldade obscena em nome da ciência deve acabar”.

As últimas campanhas pesqueiras japonesas foram bastante polêmicas por conta das ações combativas da organização ambientalista Sea Shepherd. Mas, de acordo com a Agência de Pesca, desta vez, “não ocorreu nenhuma tentativa de obstrução que ameaçasse a segurança da frota e da tripulação”. Em tempo: a instituição protege a frota baleeira com barcos de patrulha.

Moratória e história

Por ordem da CIJ, em 2014 e 2015 não houve capturas – o Japão se limitou a uma pesquisa “não letal”, coletando amostras de alguns animais para contar sua população. Mas, em 2016, a frota japonesa voltou à ação e matou 333 baleias também. E é bom lembrar que isso acontece mesmo com a moratória internacional sobre a caça de baleias aplicada, desde 1986, pela Comissão Baleeira Internacional (CBI), da qual o Japão faz parte.

Para justificar o massacre anual, o governo de Tóquio faz alegações absurdas. Valendo-se de um vácuo legal que ampara a pesquisa científica, garante que seu objetivo é identificar se a população de baleias é suficientemente grande que possibilite o retorno à caça comercial.

Sabemos que, lá, a caça às baleias é praticada há séculos. Foi essa carne, riquíssima em proteínas, que alimentou os japoneses depois da Segunda Guerra Mundial, mas, há pelo menos 20 anos, seu consumo tem caído consideravelmente. Tomara que continue assim.

Fotos: Len2040/Flickr

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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