230 investidores de fundos no valor de U$$16,2 trilhões cobram ações de empresas contra desmatamento na Amazônia

230 investidores de fundos no valor de U$$16,2 trilhões cobram ações de empresas contra desmatamento na Amazônia

Os incêndios que destruíram milhares de hectares da Floresta Amazônica no Brasil, mas também em países vizinhos, como Bolívia, chamaram a atenção do mundo inteiro. O presidente Jair Bolsonaro foi responsabilizado por sua falta de ação imediata em combater o fogo e por sua política de desmonte e enfraquecimento dos órgãos de proteção ambiental no país.

Mas empresas também tem sua parte de responsabilidade na tragédia ambiental. Elas financiam as cadeias produtivas que retiram da floresta recursos para viabilizar seus negócios. Muitas companhias não monitoram o trabalho de seus fornecedores e não mostram preocupação, por exemplo, se a madeira extraída na Amazônia é proveniente de desmatamento ilegal ou não.

Ontem (18/09), a organização não-governamental americana Ceres, que trabalha com alguns dos principais fundos de investimentos e companhias globais, divulgou um documento cobrando corporações por ações contra o desmatamento da Amazônia.

O documento assinado por 230 investidores, que juntos administram ativos no valor de cerca de U$$16,2 trilhões, quase R$ 70 trilhões, conclama empresas que tomem medidas urgentes “à luz dos devastadores incêndios na Amazônia, que foram alimentados em parte por causa do desmatamento que ocorre a uma taxa alarmante no Brasil e na Bolívia”.

Na declaração pública, os investidores pedem às companhias mais responsabilidade em suas operações e cadeias de suprimentos globais.

“Como investidores, que têm o dever fiduciário de agir no melhor interesse de longo prazo de nossos beneficiários, reconhecemos o papel crucial que as florestas tropicais desempenham no combate às mudanças climáticas, protegendo a biodiversidade e assegurando serviços ecossistêmicos”, diz o texto.

Entre as medidas sugeridas pelos gestores desses fundos estão:

– Divulgar e implementar publicamente uma política específica de não desmatamento de commodities, com compromissos quantificáveis e com prazo determinado, cobrindo toda a cadeia de suprimentos e geografias de fornecimento;

– Estabelecer um sistema transparente de monitoramento e verificação para conformidade do fornecedor com a política de não desmatamento da empresa;

– Relatório anual sobre exposição e gerenciamento de riscos de desmatamento, incluindo progresso em direção à política de não desmatamento da empresa.

“Por muito tempo, a discussão sobre mudanças climáticas concentrou-se no setor de energia. Há uma necessidade urgente de se concentrar mais no gerenciamento eficaz das cadeias de suprimentos agrícolas ”, afirma Jan Erik Saugestad, CEO da Storebrand Asset Management. “O desmatamento e a perda de biodiversidade não são apenas problemas ambientais. Existem efeitos econômicos negativos significativos associados a essas questões e representam um risco que nós, como investidores, não podemos ignorar”.

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Foto: Saul Schramm/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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