18 ‘selfies animais’ no Pantanal


As pesquisas de comportamento animal e conservação da biodiversidade mudaram radicalmente com o uso de armadilhas fotográficas mais acessíveis (disponíveis no mercado nacional), mais robustas, com capacidade para múltiplos disparos e vídeos, com flashes sincronizados e boa resolução. O foco e o enquadramento nem sempre são ideais, mas os flagrantes são muito reveladores!

A ferramenta já era utilizada há muitos anos pelos pesquisadores, para registrar cenas da vida silvestre sem a interferência de observadores humanos. Agora, serve também para levantamentos de fauna (censo populacional); identificação de indivíduos; obtenção de dados reprodutivos e na observação da seleção de hábitat e de algumas condições de saúde dos indivíduos e das populações de diferentes espécies. E mais: as versões digitais, com diversas tecnologias de ponta incorporadas (incluindo GPS e Wi-Fi), elevaram essas câmeras ao patamar de “celulares da natureza”, gerando uma bela coleção de selfies, vídeos familiares, banhos, nudes e até cenas de sexo!

Como funciona? Bem, uma armadilha fotográfica basicamente é uma câmera digital conectada a um sensor de movimentos, com uma zona definida de captação de imagens. Toda vez que um animal entra na zona de captação, a câmera faz uma sequência de fotos ou um vídeo. Alguns animais ficam curiosos e se aproximam, outros se assustam e fogem. Uma boa parte deles ignora os flashes e segue sua rotina. E há os que atacam as paparazzi automáticas, chegando a causar danos materiais.

Por meio das armadilhas fotográficas, os pesquisadores do Instituto de Conservação de Animais Silvestre (ICAS) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) obtiveram dados inéditos, essenciais para a conservação de um dos mamíferos mais raros da fauna brasileira: o tatu-canastra (Priodontes maximus).

E também registraram imagens de dezenas de outras espécies que utilizam as tocas do tatu-canastra para descansar, abrigar seus filhotes, procurar comida e escapar do calor. Arnaud Desbiez, Danilo Kluyber, Gabriel Massocato e equipe realizaram, inclusive, estudos paralelos ao do tatu-canastra, como a observação dos hábitos do supertímido tatu-de-rabo-mole-pequeno (Cabassous unicinctus), cujas saídas à superfície limitam-se a meros 11 minutos por dia! No resto do tempo, ele circula dentro de seus túneis subterrâneos, atrás de formigas e cupins.

Com apoio e incentivo da fazenda Baía das Pedras e de fazendeiros da região da Nhecolândia, no Pantanal do Mato Grosso do Sul, os pesquisadores mantêm armadilhas em uma área de 350 km2, tendo acumulado um total superior a 10 mil noites de armadilhamento, desde 2010.

Algumas das imagens por eles capturadas já rodaram o mundo – via imprensa especializada (como BBC e National Geographic) e, sobretudo, via redes sociais – promovendo conscientização e mobilizando o público leigo em defesa das espécies retratadas.

Agora, estão, aqui, no Conexão Planeta! A seguir, 18 “selfies animais” do Pantanal mostram como, diante das câmeras, muitos bichos têm reações bem parecidas com as humanas (ou será o contrário?). A seleção é do biólogo Gabriel Massocato.

Desfilando deslumbrante: olha o cabelo e a maquiagem! (seriema – Cariama cristata)

Eu e o maridão depois do almoço de domingo (irara – Eira barbara)

Boca livre na toca do tatu! Aproveitem!! (cutia – Dasyprocta)

Tem opções para carnívoros também! (jaguatirica – Leopardus pardalis)

Preconceito? Eu? Que quié isso?! Estou de boa… Só na paz…
(tamanduá-bandeira – Myrmecophaga tridactylae jacaré – Caiman yacare)

Alongaaaaaaandooooooo! (suçuarana – Puma concolor)

Assim está bom? Oi? Viro mais? Assim? Xiiiis … Ai, você me deixa sem graça!
(tatu-canastra – Priodontes maximus)

Ai, deu sono… zzzzzzzz (queixada – Tayassu pecari)

Convite? Você trouxe o convite? Oops, esqueci o convite! Mas vim de gravata!
(aracuã-do-pantanal – Ortalis canicolllis)

Peraí deixa eu focar…peraí… Ih bateu! Xô fazer outra, você não estava olhando…
(cachorro-do-mato – Cerdocyon thous)

Pssst, pode sair filho! Acho que despistamos os paparazzi! (tatu-canastra – Priodontes maximus)

Saindo para um rolê na night, baby! (jovem anta – Tapirus terrestris)

Vou pegar o filhotão no pulo… Olha só! (mamãe anta – Tapirus terrestris)

Fiquem perto!! Meninos! Meninas! Aqui, com a mamãe! (quati – Nasua nasua)

Esperando o aperitivo de insetos… Será que vem daqui? Ou de lá? (udu-de-coroa-azul – Momotus momota)

O piscinão está no jeito! É nóis! (porco monteiro – Sus scrofa)

Hummmmm, cupins fresquinhos! Caí de boca!! (tamanduá-bandeira – Myrmecophaga tridactyla)

Muito perto? Perto demais pros meus olhos verdes? (suçuarana – Puma concolor)

Fotos: Divulgação? ICAS e Ipê

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

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